Bomba é capaz de administrar insulina de forma autónoma
Três diabéticos receberam o novo dispositivo médico no âmbito de um projeto-piloto.
Há uma nova ‘arma’ para controlar a diabetes: a bomba de insulina inteligente, capaz de administrar insulina de forma autónoma.
Esta hormona, produzida pelo pâncreas, permite a entrada de glicose nas células para que esta seja transformada em energia.
Normalmente, o pâncreas é capaz de produzir insulina em quantidade suficiente e esta consegue manter os níveis de açúcar equilibrados - algo que não acontece nos diabéticos.
Quando o doente inicia a bomba de insulina inteligente, à semelhança das anteriores, tem de introduzir o valor de hidratos de carbono que ingeriu ao longo do dia.
Numa semana, o dispositivo é capaz de ‘aprender’ todas as rotinas da pessoa e passa a ser o algoritmo a calcular, sozinho, a quantidade de insulina a administrar no doente.
O dispositivo médico ainda não está disponível em Portugal mas, na semana passada, três diabéticos receberam a bomba através de um projeto-piloto.
"Estas bombas inteligentes permitem aos doentes com diabetes evitar crises de hiperglicemia - concentrações elevadas de glicose no sangue - e de hipoglicemias - concentrações de glicose no sangue muito baixas", explica ao Correio da Manhã João Filipe Raposo, diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, realçando que "este é o modelo que se aproxima mais de um pâncreas artificial".
"Espero ter mais qualidade de vida"
"Tinha muita vontade de urinar e perdi muito peso", conta o professor, lembrando que "nesta altura o único tratamento disponível era uma injeção diária de insulina".
João Nabais é um dos doentes abrangidos pelo projeto-piloto - recebeu a nova bomba de insulina. "Espero ter mais qualidade de vida", diz.
"Há medos devido à falta de informação"
João Filipe Raposo, diretor clínico da Ass. Prot. Diabéticos
CM - O que faz concretamente o algoritmo desta nova bomba de insulina?
João Filipe Raposo – Ao longo de um dia, o nosso estado de humor, a alimentação e até a atividade física variam muito e tudo isto influencia a resposta do nosso corpo, assim como a a própria absorção da insulina. É esta variabilidade que o algoritmo vai aprendendo de forma a conseguir adaptar as administrações de insulina.
– Os doentes sentem-se entusiasmados com o novo dispositivo ou têm medo?
– É um dispositivo de sucesso nos Estados Unidos da América e noutros países da Europa. Não há como não estar entusiasmado. Mas há também medos devido à falta de informação sobre o dispositivo médico.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt