Bombeiros ‘tapam’ faltas de médicos
Os utentes do serviço de Urgências do Centro de Saúde de Benavente estão a bater à porta do quartel de bombeiros, pedindo que os transportem ao Hospital de Vila Franca de Xira, sempre que os médicos faltam ao trabalho.
Como aparecem sem requisição de transferência, a corporação fica impossibilitada de imputar os custos ao Serviço Nacional de Saúde. Logo, só tem duas saídas: ou assume os prejuízos ou cobra o transporte aos doentes – perto de 50 euros.
'Não está correcto que empurrem a responsabilidade para cima dos bombeiros', lamenta o comandante dos Bombeiros Voluntários de Benavente, José Guilherme, adiantando que só na sexta-feira, dia 19, apareceram 'mais de dez pessoas' oriundas do Centro de Saúde.
O caso já foi analisado em reunião de Câmara, e o presidente, António José Ganhão, pediu um diagnóstico da área da saúde a todas as juntas de freguesia, para enviar à ministra.
Entretanto, a directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria, Luísa Portugal, vai reunir-se com a empresa que assegura o funcionamento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP), para analisar as situações de incumprimento do contrato, como as faltas dos médicos ao serviço.
Segundo a responsável, o recurso ao sector privado foi a solução encontrada para minimizar a falta de médicos de família, que afecta 'perto de 6000 utentes' no concelho de Benavente. O contrato prevê que os médicos trabalhem no SAP das 08h00 às 20h00, 'mas nem sempre têm cumprido o que está estipulado', afirma Luísa Portugal.
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