Buldogue-francês com fim à vista? Novas regras europeias põem em risco raças de cães e gatos

Primeira legislação da UE para cães e gatos restringe criação de raças de focinho curto e introduz idades mínima e máxima para a reprodução.

05 de maio de 2026 às 01:30
Reprodução do buldogue francês vai ter restrições na União Europeia Foto: Direitos Reservados
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A União Europeia (UE) aprovou pela primeira vez regras comunitárias específicas para cães e gatos. O 'microchip' passa a ser obrigatório nos 27 países e também para os animais trazidos para a UE com fins comerciais. Haverá restrições à criação que poderão reduzir o número de exemplares de raças braquicéfalas (com o focinho curto) como o buldogue-francês, que tem problemas respiratórios crónicos.

Para o médico veterinário Jorge Cid, “deve evitar-se a reprodução de animais com grandes problemas de saúde e que venham a sofrer por se dar primazia à beleza”. No entanto, garante que “muitos buldogues e pugs não têm qualquer problema” e rejeita que se “ponha em causa raças que têm grandes amantes”.

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Será também proibida a reprodução entre pais, filhos, irmãos e avós para aumentar a heterogeneidade genética e as defesas contra doenças. “Deve evitar-se a consanguinidade porque podem trazer taras e alterações comportamentais que podem até levar as pessoas a querer abandonar os animais”, concorda Jorge Cid.

Passa a haver uma idade mínima para a reprodução, de um ano para gatas e um ano e meio para cadelas, bem como uma pausa obrigatória de um ano, após três ninhadas em dois anos. A reprodução só pode prosseguir com o aval de um médico veterinário, a partir dos seis anos, para gatas, e oito anos, para cadelas.

“São regras que já são praticadas em países com canicultura avançada. Portugal até já tem legislação avançada, mas o problema é a fiscalização”, afirma o especialista.

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A mutilação de animais para exposições e espetáculos será proibida, bem como o uso de coleiras perigosas e a amarração. As regras já aprovadas pelo Parlamento Europeu (558 votos a favor, 35 contra e 52 abstenções) serão ratificadas pelo Conselho, mas haverá um período de quatro anos para o cumprimento por parte dos criadores e de 10 anos para os privados.

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