Caçadores contra caça à lebre em setembro
Movimento reclama que por um ano não seja permitido caçar o coelho-bravo, a lebre e a perdiz-vermelha.
A diminuição crescente do número de efetivos de coelho-bravo, lebre ibérica e perdiz-vemelha leva o Movimento Caçadores Mais Caça a reclamar a suspensão da atividade cinegética durante um ano, numa tentativa de recuperar o número de animais.
A redução de coelhos e de lebres resulta de as populações estarem a ser dizimadas por duas doenças que não são transmissíveis ao homem. O coelho é atingido pela febre hemorrágica e pela mixomatose. Esta última doença, após ter provocado enormes perdas nas populações de coelho-bravo, atinge, agora, as lebres da Península Ibérica. Também a perdiz-vermelha é atingida por um conjunto de doenças, sendo que uma das mais comuns é a chamada doença de Newcastle, que afeta o aparelho digestivo da ave.
"Seria o mais sensato não abrir a época de caça para a lebre, coelho e também perdiz. A escassez é enorme e são necessárias medidas para as espécies conseguirem recuperar", referiu José Baptista, do Movimento Caçadores Mais Caça. "Há zonas de caça em que este ano não se caça a lebre perante a escassez existente", acrescentou.
"A época da caça à lebre a corricão, com recurso a galgos, e por cetraria (uso de aves de rapina) é ainda mais longa, vai até 28 de fevereiro do próximo ano. Não se justifica. É um erro", considerou o caçador.
A diminuição dos efetivos é também observada pelos ambientalistas. Nuno Forner, da associação ambientalista Zero, dá, por exemplo, a região do Tejo Internacional, no distrito de Castelo Branco. "A febre hemorrágica praticamente dizimou todos os coelhos", referiu. "O reduzido número de animais acaba por fazer pressão sobre o efetivo de predadores, animais cuja base de alimentação são os coelhos e as lebres", acrescentou, lembrando que para a reintrodução do lince é "fundamental ter em conta o efetivo existente de coelho-bravo".
Vírus identificado na Universidade do Porto
Uma nova linhagem do vírus da mixomatose, responsável pela morte das lebres ibéricas, foi identificada por uma equipa de cientistas liderada por Ana Águeda-Pinto e Pedro Esteves, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (UP). Investigadores analisaram o genoma completo deste novo vírus e descobriram alterações genéticas que poderão ser as responsáveis por vencer a resistência das lebres à mixomatose.
Vacinas são garantia para animais criados em cativeiro
A vacinação coloca a salvo o coelho criado em cativeiro. A prática corrente é vacinar os animais com oito semanas de vida contra a mixomatose e às dez semanas contra a febre hemorrágica. O intervalo conveniente entre as duas vacinas é de duas semanas, sobretudo nos animais mais novos. As vacinas devem ser aplicadas duas vezes por ano, em locais mais expostos à doença é ministrada quatro vezes.
PORMENORES
Calendário para a perdiz
O calendário venatório 2020/21 determina que, em terreno ordenado, o período de caça da perdiz-vermelha estende-se de 1 de outubro a 31 de janeiro. Já no terreno não ordenado, o período é mais curto: vai de 4 de outubro a 27 de dezembro.
Período da lebre e coelho
A caça à lebre e ao coelho-bravo arranca já no dia 1 do próximo mês e termina no fim do ano, no terreno ordenado. Por sua vez, no terreno não ordenado, o período é reduzido a metade: de 4 de outubro a 29 novembro. A caça a corricão e cetraria é de 1 de setembro até 28 de fevereiro.
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