Cais Palafítico da Lagoa de Óbidos interdito devido a colapso de ancoradouro

Problemas na estrutura do ancoradouro em madeira "já tinham sido detetados em junho e tinha sido colocada uma fita a impedir a passagem".

04 de agosto de 2026 às 14:17
Cais Palafítico da Lagoa de Óbidos interdito devido a colapso de ancoradouro Foto: Manuel Teles
Partilhar

O cais palafítico do Nadadouro, na margem norte da Lagoa de Óbidos, foi interditado ao público na sequência do colapso de um dos ancoradouros da estrutura em madeira que, segundo a Junta de Freguesia, tem vários pilares com sinais de degradação.

A "sinalização e interdição de todos os ancoradouros existentes no cais" foi determinada pela Junta de Freguesia do Nadadouro, no concelho das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, depois de "um dos ancoradouros do Cais Palafítico, que já se encontrava devidamente sinalizado e interdito, ter colapsado, no último domingo", disse à agência Lusa o presidente, Filipe Pereira (eleito pela coligação PSD/CDS-PP).

Pub

Segundo o autarca, os problemas na estrutura do ancoradouro em madeira "já tinham sido detetados em junho e tinha sido colocada uma fita a impedir a passagem". Depois, o acentuar da cedência dos pilares de suporte levou ainda a junta a "fechar a passagem com traves de madeira", acrescentou.

Agora, o colapso do ancoradouro levou "à interdição total de todo o Caís Palafítico", por precaução, "considerando que alguns dos pilares dos restantes ancoradouros apresentam sinais de degradação, estando algum deles partidos", disse Filipe Pereira.

A Junta de Freguesia solicitou à Câmara das Caldas da Rainha (distrito de Leiria), liderada pelo movimento independente "Vamos Mudar", uma vistoria técnica "para avaliar as condições de segurança de todos os ancoradouros do cais" bem como "que seja feito apuramento de responsabilidades pelo colapso de uma estrutura com menos de três anos".

Pub

O Cais Palafítico da Barosa, foi construído em 2023, no local onde, no passado, uma antiga estrutura terá sido utilizada como ancoradouro por pescadores e mariscadores, acabando por ser abandonada há algumas décadas, quando a Lagoa de Óbidos deixou de ser navegável.

A estrutura, inaugurada pelo anterior executivo da junta em outubro de 2023, conta com nove ancoradouros em madeira e tem uma extensão de cerca de 400 metros, assente em pilares de madeira parcialmente submersos.

O projeto representou um investimento de cerca de 330 mil euros resultantes de uma candidatura ao GAL (Grupo de Ação Local) Oeste Costeiro, uma parceria entre entidades públicas e privadas, gerida pela ADEPE (Associação para o Desenvolvimento de Peniche) e que promove o desenvolvimento local sustentável do setor da pesca e zonas piscatórias de cinco municípios: Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Caldas da Rainha e Peniche.

Pub

"Solicitámos à Câmara [das Caldas da Rainha] que seja analisado se foi cumprido o caderno de encargos e se foram utilizados os materiais adequados, porque não é aceitável que uma estrutura deste tipo, projetada para ter pilares em ambiente aquático, fique danificada em tão curto espaço de tempo", disse Filipe Pereira.

Deste apuramento de responsabilidades dependerá "o futuro da estrutura, que a junta não tem capacidade financeira para recuperar", pelo que a reparação do cais "dependerá da decisão que vier a ser tomada pela Câmara", acrescentou.

Numa publicação da rede social Facebook, a Junta de Freguesia desta freguesia ribeirinha apelou aos utilizadores do espaço, que integra um trilho inserido no projeto Conhecer, Proteger e Valorizar a Lagoa, que respeitem a sinalização e adotem uma utilização consciente da zona envolvente, até que sejam conhecidas as conclusões da avaliação técnica para avaliar as condições de segurança.

Pub

"É muito importante que as pessoas tenham consciência do perigo que correm, dado tratar-se de estruturas com vários metros de altura, cujas fundações poderão ceder e provocar quedas graves", alertou o presidente.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar