Câmara de Coimbra reduz em dois terços orçamento do Convento São Francisco

Concurso para programador foi lançado há cerca de um ano, pelo anterior executivo composto por uma coligação liderada pelo PSD.

23 de março de 2026 às 22:13
Convento de São Francisco Foto: Câmara Municipal de Coimbra
Partilhar

A Câmara de Coimbra reduziu em dois terços o orçamento de programação do Convento São Francisco, que tinha previsto 600 mil euros para este ano no concurso para programador que foi anulado, afirmou esta segunda-feira vereadora do município.

A vereadora com a pasta da cultura, Margarida Mendes Silva, vincou que a decisão de anular o concurso público para programador do Convento São Francisco (CSF) não teve "gesto político, mas sentido de rigor e de exigência".

Pub

"Esse contrato [de programador] implicava um compromisso de 600 mil euros para a programação. Não seria sério assinar um contrato em que nem metade desse valor poderíamos garantir. Neste momento, temos 183 mil euros [para a programação do CSF]", afirmou a vereadora, durante a reunião do executivo.

Para Margarida Mendes Silva, a decisão de anular o concurso que tinha como vencedor o antigo diretor do Teatro Oficina Mickael de Oliveira "não relega para segundo plano a importância" que o executivo confere "à cultura na política municipal".

A vereadora salientou que "a alocação de financiamento não pode deixar de ser direcionado para todos os compromissos anteriores, com agentes culturais, entidades gestoras dos equipamentos culturais, os projetos âncora e os apoios à atividade permanente, os quais, por sua vez, já tinham sofrido um corte de 10% no início do ano".

Pub

"Estamos a trabalhar para criar as condições para que quem quer que venha tenha a possibilidade de cumprir as suas expectativas. Estamos a trabalhar quer na revisão das receitas próprias do Convento, quer na procura de empresas que adiram ao mecenato, quer ainda na promoção de candidaturas que possam reforçar o orçamento da programação", disse.

Em declarações à Lusa no final da reunião, Margarida Mendes Silva explicou que, com a transição de executivos, houve pagamentos que transitaram para 2026, como foi o caso da cortina corta-fogo, com um custo de 200 mil euros, além de custos associados às intempéries - que obrigou todos os departamentos do município a repensar investimentos.

Questionada sobre se falou com o programador sobre a possibilidade de ajustar o projeto às verbas existentes, a vereadora disse que não e que "nem tinha que falar".

Pub

Sobre o concurso, Margarida Mendes Silva considerou que tinha componentes que o limitavam, nomeadamente não haver negociação das propostas apresentadas nem entrevistas.

Questionada sobre se no futuro o município irá voltar ao modelo de concurso público para escolher programador, a vereadora disse que não sabe se irá optar por esse modelo.

"Isso agora não é a minha preocupação. A minha preocupação é criar as condições para ter receitas que permitam não estar tão dependente de um orçamento", disse à Lusa a responsável.

Pub

Sobre como será assegurada a programação do CSF com cerca de um terço do orçamento previsto, a vereadora explicou que alguns projetos foram repensados para 2027, mas que não vai abdicar "nem da qualidade nem da dignidade da programação", acreditando que tal é possível com a verba existente.

Na reunião do executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), Margarida Mendes da Silva pediu que lhe deem tempo, numa intervenção em que terminou a citar o poeta Manuel António Pina: "Não é o princípio nem o fim do mundo. Calma, é só um pouco cedo [o verso do poema termina com 'um pouco tarde' e não com 'um pouco cedo']".

O concurso para programador foi lançado há cerca de um ano, pelo anterior executivo composto por uma coligação liderada pelo PSD.

Pub

Caso o procedimento se tivesse concretizado, esta seria a primeira vez que aquele equipamento cultural, inaugurado em 2016, teria um programador escolhido por concurso público.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar