Câmara de Lisboa acompanha "com serenidade" buscas sobre iluminações de Natal
Foram detidos um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação e um funcionário público.
O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis, disse esta terça-feira que a autarquia está a acompanhar as buscas relacionadas com iluminações de Natal "com toda a serenidade" e a aguardar os resultados das averiguações para atuar.
"Estamos a colaborar com todas as autoridades, acho que deve ser feita toda a recolha de informação e averiguações e nessa altura, com base nos elementos, iremos atuar", afirmou Gonçalo Reis, em declarações aos jornalistas à chegada à reunião de esta terça-feira da Assembleia Municipal de Lisboa.
O vice-presidente afirmou que a autarquia está a acompanhar o caso "com toda a serenidade", depois de a Câmara Municipal de Lisboa (CML) ter confirmado que foi alvo de buscas relacionadas com a operação "Lúmen".
A Polícia Judiciária (PJ) deteve esta terça-feira quatro pessoas suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e a instalação de iluminações festivas.
Em comunicado, a PJ referiu terem sido detidos "um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público".
Os jornais Expresso e Correio da Manhã avançaram que o secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, o militante histórico do CDS Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos, sendo suspeito de beneficiar a maior empresa do mercado nos contratos para as luzes de Natal em Lisboa ao longo dos últimos anos, a Castros Iluminações Festivas, de Vila Nova de Gaia.
Segundo fonte judicial, a empresa -- que se escusou a prestar declarações à Lusa -- foi alvo de buscas no âmbito desta operação e a presidente da União de Associações de Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha, foi detida.
Carla Salsinha foi em janeiro reeleita presidente da UACS para o triénio 2026-2029. A associação é a responsável pela contratação da iluminação de Natal do município de Lisboa.
A Lusa tentou ouvir a responsável, mas não foi possível até ao momento. Fonte da UACS disse à Lusa que a responsável não vai prestar declarações.
De acordo com fonte judicial, decorreram buscas em 10 municípios: Lisboa, Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Viseu, Trofa, Póvoa de Varzim, Ovar e Santa Maria da Feira.
As autarquias da Maia, Viseu, Trofa, Tavira e Santa Maria da Feira já confirmaram igualmente à Lusa terem sido esta terça-feira alvo de buscas.
Os detidos vão ser presentes na quarta-feira ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
Em comunicado, a PJ referiu que foi realizada, através da Diretoria do Norte, uma operação policial no âmbito da criminalidade económico-financeira, tendo sido detidos "um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público".
Na operação "Lúmen", foram efetuadas 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em várias zonas do país, em entidades e empresas públicas e privadas.
De acordo com a PJ, a investigação teve origem numa denúncia ligada com a "pretensa viciação de procedimentos de contratação pública relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas, utilizadas nas épocas de Natal e na celebração de diversas festividades".
Em dezembro, a Câmara Municipal de Lisboa indicou que o investimento nas iluminações de Natal foi de 749.500 euros, o mesmo valor disponibilizado em 2023 e 2024, no âmbito de um protocolo entre o município e a UACS, ou seja, a autarquia não contrata diretamente qualquer empresa, o que é da responsabilidade da associação.
De acordo com o município, foi montado um percurso de 182 quilómetros de luz, com 1.050 estruturas luminosas e 5.900 peças decorativas, distribuídas por 46 locais da cidade.
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