Câmara de Vila Franca de Xira ativa plano municipal de emergência e proteção civil
Decisão deve-se à previsão de "subida anormal" das águas do Rio Tejo, após Espanha ter aberto as suas comportas.
A Câmara de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, ativou esta quinta-feira o plano municipal de emergência e proteção civil devido à previsão de "subida anormal" das águas do Rio Tejo, após Espanha ter aberto as suas comportas.
"Estamos aqui a preparar-nos para essa subida anormal das águas do Tejo", afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira (PS), indicando que se prevê que cerca das 17h00 desta quinta-feira o nível das águas do rio venha a subir "de forma exponencial".
Segundo o autarca, essa subida do nível da água do Rio Tejo prende-se "não propriamente por causa de pluviosidade [...], mas pelo facto de Espanha ter aberto as suas comportas e vir uma grande massa de água desde o país vizinho", que se espera que venha a chegar a este concelho do distrito de Lisboa cerca das 17:00, o que "vai coincidir pouco depois com a maré alta".
"O que acontece é que hoje vem uma massa de água a montante cujos efeitos são totalmente desconhecidos, portanto não há histórico dessa quantidade de água a chegar toda ao mesmo tempo nesta zona, sobretudo num momento de maré alta", reforçou Fernando Paulo Ferreira.
Falando pelas 13h00, o autarca de Vila Franca de Xira indicou que, "por enquanto, nada está a acontecer no terreno em termos de alteração das águas do Tejo", acrescentando que nos últimos dias o nível das águas já está mais alto do que o habitual e "tem inundado zonas ribeirinhas, mas de uma forma que não é totalmente inabitual, sobretudo quem vive naquelas zonas está habituado".
No âmbito da ativação do plano municipal de emergência e proteção civil, o município de Vila Franca de Xira deu a indicação para as escolas fecharem depois da hora de almoço, no sentido de os pais poderem ir buscar as crianças, de modo a diminuir o número de circulações nas estradas ao fim do dia.
"Mandámos avisar todos os clubes, todos os agentes culturais, de que devem suspender tudo o que sejam atividades desportivas e culturais ao fim do dia, exatamente com o mesmo objetivo", adiantou.
O autarca disse que o município está a acompanhar sobretudo as populações das zonas mais ribeirinhas, para que possam salvaguardar os bens que tenham em casa, inclusive eletrodomésticos, aconselhando que sobrelevem esse tipo de equipamentos.
"Estamos a preparar também, com as forças de segurança, com os bombeiros, medidas excecionais para, se necessário, podermos também alojar provisoriamente algumas pessoas que possam ficar isoladas nas suas habitações", afirmou Fernando Paulo Ferreira.
Outro dos conselhos do município é para que todas as pessoas que residam em zonas inundáveis possam retirar as viaturas da via pública e até de garagens, para evitar danos a partir do final da tarde, realçou o autarca, referindo que também as empresas de Vila Franca de Xira estão a ser avisadas para o risco de inundações e cheias.
"O plano municipal de emergência ficará ativo enquanto for necessário", revelou o presidente da câmara, indicando que serão feitas avaliações regulares da situação, inclusive para decidir se as escolas do concelho de Vila Franca de Xira irão abrir na sexta-feira.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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