Cancro de pele: IPO Lisboa detecta anualmente 300 novos casos

Serviços de dermatologia fazem hoje rastreios gratuitos. Especialistas alertam para perigos da exposição solar, sobretudo entre os jovens

09 de maio de 2012 às 15:04
saúde, cancro, pele, ipo, rastreio, dermatologia, Euromelanoma, sinais Foto: Miguel A. Lopes / Lusa
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Os profissionais do IPO de Lisboa detectam anualmente cerca de 300 novos casos de cancro de pele. Hoje, em 30 serviços de dermatologia do país fizeram-se rastreios gratuitos para alertar para os perigos da doença.

"As pessoas acham que uma pinta preta não mata. Mas não é verdade, um sinal preto, que é o melanoma, pode matar e às vezes rapidamente", afirmou a directora do serviço de dermatologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Manuela Pessegueiro.

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Hoje, Dia da Euromelanoma, técnicos dos gabinetes de dermatologia de todo o país estão a dar consultas gratuitas para analisar sinais suspeitos.

Hugo Delgado, 33 anos, foi um dos pacientes do IPO de Lisboa. Aderiu à campanha porque "uma amiga fez um rastreio há três anos e descobriram-lhe um sinal que teve de tirar".

"Já não ia ao dermatologista há três anos e como tenho alguns sinais no corpo vim ver, mas está tudo bem. Estou tranquilo", contou Hugo Delgado, após uma rápida consulta.

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Daniela, 39 anos, também esteve no IPO, por recomendação da médica de família, que a alertou para um sinal estranho no braço. "Afinal não é nada de mal. Está tudo bem", disse à Lusa.

Manuela Pessegueiro diz que normalmente os especialistas "não apanham muitas lesões importantes" no dia do rastreio, mas a campanha de sensibilização acaba por provocar um aumento da procura de consultas e "nos meses seguintes, surgem mais pessoas nos serviços e são encontradas mais lesões suspeitas".

O número de cancros de pele tem vindo a aumentar. Segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), anualmente surgem cerca de dez mil novos casos. Manuela Pessegueiro acrescenta que todos os anos são diagnosticados cerca de mil melanomas.

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"Não existe um registo nacional, mas estima-se que existam entre oito a dez casos de melanomas por 100 mil habitantes. Só aqui no instituto, os novos casos rondam os trezentos por ano", disse.

Apesar das campanhas e alertas para os riscos da exposição excessiva ao sol, a directora do serviço de dermatologia acusa os portugueses de continuarem a cometer muitos erros: "As pessoas não têm cuidado nenhum porque pensam que só acontece aos outros. Os jovens continuam a ser muito inconscientes ao bronzear, dormir na praia, expor ao sol e secar como bacalhaus. Também já vi pais com crianças pequeninas com o corpo todo exposto ao sol, sem uma peça de vestuário", lamentou.

A especialista lembrou que as pessoas têm de saber fazer autoexames e para isso precisam de conhecer "o seu corpo e a sua pele". Nos exames, é preciso ter em conta os sinais novos e "aqueles que já existem mas têm características particulares", tais como serem irregulares, com uma pigmentação disforme e com mais de cinco milímetros.

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Além disso, alertou, os "sinais que surgem na infância podem ser pré-malignos e a dada altura modificarem-se. A modificação consiste no aumento do sinal, modificação da cor e aparecimento de comichão. Sinais de alerta que devem procurar um profissional".

Evitar a exposição solar nas horas de maior calor, reforçar o protector de duas em duas horas, usar chapéu, óculos de sol e roupa de algodão são alguns dos cuidados que não devem ser esquecidos.

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