Caso UnI: Juíza ameaçada com bomba e rapto

O juiz desembargador Nuno Machado Sampaio, coordenador distrital de Lisboa do Centro de Estudos Judiciários, afirmou ontem no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, que a juíza Isabel Pinto Magalhães, ex-mulher de Rui Verde, vivia com medo de ameaças de bomba e rapto, alegadamente feitas por Amadeu Lima de Carvalho.

31 de janeiro de 2012 às 01:00
Rui Verde, Amadeu Lima de Carvalho, Luíz Arouca, Universidade Independente, Monsanto, Nuno Machado Sampaio Foto: Sérgio Lemos e Mariline Alves
Partilhar

Ouvido como testemunha no julgamento do caso da Universidade Independente (UnI), que envolve 23 arguidos – entre os quais Rui Verde, Lima de Carvalho e Luíz Arouca – Nuno Machado Sampaio, amigo e confidente da juíza, recordou os desabafos de Isabel Pinto Magalhães que lhe dava conta das conversas com Amadeu Lima de Carvalho, nas quais reclamava o pagamento de milhões de euros de dívidas contraídas pelo ex-marido.

“Estava em estado de choque. Dizia que o marido tinha de pagar milhões de euros, reclamados por um grupo de angolanos por créditos transmitidos por Amadeu Lima de Carvalho”, testemunhou na sessão de ontem.

Pub

Questionado pelo colectivo de juízes, presidido por Ana Peres, se tinha conhecimento da existência de ameaças físicas, Nuno Machado Sampaio referiu o nome de Amadeu Lima de Carvalho.

“Em conversas com a então mulher de Rui Verde, ele dizia que eram pessoas perigosas capazes de bombas e de raptos. Ela temia pela sua segurança e pela da filha”, disse Nuno Machado Sampaio, chamado pelos advogados de Diogo Horta Osório e Maria Manuela Magalhães, arguidos no processo da UnI.

Horta Osório foi o advogado contratado por Rui Verde e Isabel Pinto Magalhães para resolver os problemas de dívidas. Está acusado de cinco crimes, um de branqueamento, três de falsificação de documentos e um de burla.

Pub

Maria Manuela Magalhães é irmã de Isabel Pinto Magalhães e é acusada de um crime de branqueamento.

A ex-mulher de Rui Verde, Isabel Pinto Magalhães, está a ser julgada no Tribunal da Relação de Lisboa por um crime de branqueamento de capitais e dois de falsificação de documentos. Trata-se de um processo retirado do da Universidade Independente.

RUI VERDE CREDOR DA SIDES

Pub

Durante o seu testemunho, Nuno Machado Sampaio afirmou que Rui Verde, ex-vice reitor da Universidade Independente, seria credor da SIDES, empresa que detinha a instituição.

“Quando a juíza Isabel Pinto Magalhães se apercebeu da situação em que estava envolvida, através do marido Rui Verde, procurou saber qual o valor real da dívida. Depois de analisar a mais variada documentação chegou à conclusão que o marido seria credor da Universidade e não o contrário”, afirmou o desembargador.

Em causa estão uma série de documentos, nos quais constam a assinatura alegadamente falsificada da juíza Isabel Pinto Magalhães.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar