Cerca de 1500 pessoas manifestaram-se no Porto contra o aumento do custo de vida

Plataforma "Não dá mais para viver assim" promoveu este sábado protestos em Aveiro, Braga, Lisboa e Porto contra o aumento do custo de vida e da habitação.

10 de outubro de 2026 às 22:11
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Cerca de 1500 pessoas concentraram-se este sábado no centro do Porto em protesto contra o aumento do custo de vida e da habitação, com cerca de duas dezenas a montar tendas na Praça de D. João.

Pelas 17:00, as escadas em frente ao Rivoli já estavam repletas de manifestantes e a praça não tardou a encher-se das "cerca de 1.500" pessoas que decidiram sair este sábado à rua, de acordo com os dados fornecidos à Lusa por agentes da PSP destacados para o local.

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Ao longo de mais de duas horas, vários grupos e coletivos foram discursando perante os manifestantes, que empunhavam cartazes a pedir o controlo dos preços das rendas e a taxação dos "lucros milionários", relembrando também Maricarmen Abascal, a idosa espanhola de 87 anos que foi despejada de casa e desencadeou manifestações por toda a Espanha.

Com um cartaz que dizia "Luís [Montenegro, primeiro-ministro], está na hora de teres mentalidade de Ronaldo: vai-te embora" estava Paula Moreira, professora de 53 anos, que aderiu com os filhos à manifestação por reconhecer que "é preciso fazer alguma coisa" e que "o povo precisa de vir para a rua".

"O governo tem de cortar relações com Israel, temos de baixar os impostos dos combustíveis, do preço das casas. É impossível pagar seis rendas para alugar uma casa sem pôr lá os pés. Portanto, isto está incomportável, não se consegue viver assim", denunciou.

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Para a professora, que "gastou muito dinheiro em combustível" a "viajar pelo país de escola em escola", seria agora impensável estar colocada longe de casa: "Se fosse neste momento, compensava-me mais estar de baixa do que trabalhar", salientou.

Por volta das 19:00 também já se podiam contar mais de duas dezenas de tendas montadas em frente ao Teatro Municipal do Porto, sendo uma delas de Duarte, de 24 anos, que lamentou que os portugueses estejam "a perder os centros das cidades".

Por isso, disse, é essencial sair à rua e não esperar "que seja exclusivamente o Governo a resolver o problema da habitação".

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À procura de trabalho há três meses, depois de concluir um mestrado, Bruna Lopes, também com 24 anos, saiu à rua por não acreditar na meritocracia.

"Estava à espera de ser um pouco mais fácil encontrar trabalho, não porque se calhar é essa a realidade, mas porque é isso que nos é vendido: estudem, continuem a estudar, façam doutoramento, façam o máximo que vocês puderem, tirem os cursos que vocês puderem, mas depois chegamos ao mercado de trabalho e és tu contra os outros todos", lamentou.

Apesar de ter habitação própria, Maria Gonçalves Ferreira, de 71 anos, decidiu aderir à manifestação por solidariedade e por ter "consciência das dificuldades que hoje o país atravessa ao nível de políticas que apoiem os jovens e as famílias que precisam de casa".

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Ao seu lado, o marido, José, disse temer a dimensão que o tema pode tomar.

"As pessoas ainda estão a conseguir resolver o problema da habitação individualmente, com a família e com amigos. Ainda não é um problema dramático, mas vai lá chegar. E quando lá chegar, as manifestações em Portugal poderão ser maiores", antecipou.

A plataforma "Não dá mais para viver assim" promoveu este sábado protestos em Aveiro, Braga, Lisboa e Porto contra o aumento do custo de vida e da habitação.

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Entre as reivindicações, o coletivo pediu o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

A plataforma junta mais de 30 organizações, desde sindicatos a associações de defesa do direito à habitação, igualdade de género, combate ao racismo, ação climática e inclusão social.

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