Cientistas detetam sinais de atmosfera em planeta em "zona habitável"
Planeta rochoso como a Terra, mas maior, está a uma distância da sua estrela que lhe permitiria ter água em estado líquido.
Cientistas detetaram sinais de atmosfera num planeta rochoso como a Terra, mas maior, a uma distância da sua estrela que lhe permitiria ter água em estado líquido, condição essencial para a vida, revela um estudo esta quinta-feira divulgado.
O estudo, publicado na revista Science, representa um avanço científico face à limitação de dados sobre planetas rochosos fora do Sistema Solar com atmosferas e a orbitarem a sua estrela na chamada "zona habitável".
As atmosferas são componentes críticas para a habitabilidade de um planeta, uma vez que servem de escudo contra a radiação cósmica, possibilitam a existência de água na sua superfície e regulam a dinâmica dos ciclos climáticos, refere em comunicado o Instituto Carnegie de Ciência, nos Estados Unidos, onde parte da investigação foi realizada.
O planeta em causa foi descoberto em 2017, tem a designação técnica de 'LHS 1140 b' e orbita uma velha estrela anã vermelha por períodos de 24,7 dias.
A sua massa é 5,6 vezes a da Terra e o seu raio 1,7 vezes.
A equipa de cientistas, da qual fazem parte investigadores da Universidade de Harvard, também nos Estados Unidos, observou o exoplaneta em 2024 com recurso a um espetrógrafo instalado num dos telescópios Magalhães, no Observatório Las Campanas, no Chile.
Das observações, os investigadores obtiveram um "resultado fantástico", o vislumbre de hélio (gás) a ser expelido da atmosfera de 'LHS 1140 b'.
"Após muitas análises cuidadosas do espetro [de luz] determinámos que o hélio estava a ser expelido da atmosfera de 'LHS 1140 b' em 2024 devido ao aquecimento produzido pela radiação ultravioleta extrema e raios-X da estrela", disse, citado no comunicado, um dos autores do estudo, Shreyas Vissapragada, do Instituto Carnegie de Ciência.
Em 2025, porém, novas observações não revelaram sinais de hélio a libertar-se da atmosfera do planeta.
"As perdas atmosféricas [de gases] parecem ser variáveis. É um raro privilégio testemunhar que a atmosfera de um planeta extrassolar muda numa escala humana tão curta", sublinhou Shreyas Vissapragada.
Ao combinarem estes resultados com observações anteriores e modelos de evolução de exoplanetas, a equipa científica interpretou os dados como indicadores da presença de uma atmosfera distribuída por camadas no 'LHS 1140 b', estimando uma camada superior rica em hélio e pobre em hidrogénio e camadas mais baixas, próximas da superfície, com outros elementos químicos, como água.
Os espetros são uma forma de estudar as características de um corpo celeste como um planeta, incluindo composição, velocidade e movimento.
Quando a luz da estrela hospedeira de um planeta atravessa a sua atmosfera, os astrónomos conseguem identificar os elementos químicos que nela constam.
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