Cientistas portugueses investigam como o cérebro pode travar o cancro
Financiamento de 21,15 milhões de euros atribuído a equipa que inclui a Fundação Champalimaud. Vão colocar implantes em neurónios para destruir tumores.
De que forma o cérebro e o sistema nervoso interagem com o cancro e como será possível dirigir a atividade cerebral de modo a travar o crescimento de tumores ou a fortalecer o sistema imunitário? É a resposta a estas perguntas que um grupo de cientistas internacionais, no qual se inclui uma equipa da Fundação Champalimaud (FC), pretende dar, numa investigação premiada com um financiamento da Cancer Grand Challenges de 25 milhões de dólares (21,15 milhões de euros) em cinco anos.
“A especialidade da nossa equipa é conseguir que através de implantes elétricos nos neurónios sejam dadas instruções para regular a imunidade que destrói o cancro e conhecer estas interações. Isto não é ficção científica, já conseguimos que implantes em neurónios façam a regulação do cancro do pâncreas. E também já se usa na Doença de Parkinson”, afirmou ao CM Henrique Veiga-Fernandes, Investigador Principal na FC. “Teremos resultados práticos mais cedo do que se possa pensar”, garante.
Liderada pelo Francis Crick Institute no Reino Unido, a investigação envolve nove equipas de cientistas de Portugal, EUA, Suíça e Reino Unido. O financiamento é atribuído pela Cancer Research UK e pela National Cancer Institute, dos Estados Unidos, duas das maiores entidades financiadoras de investigação em cancro. Pela primeira vez, o prémio é dado a uma instituição portuguesa.
“Há evidência clara de que os circuitos neuronais podem promover ou suprimir o crescimento tumoral. Queremos compreender as regras e princípios que regem essas interações”, disse Veiga-Fernandes, frisando que este projeto confirma “a importância da investigação fundamental”.
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