Cientistas portugueses na missão ‘Gaia’
Objetivo é criar o maior e mais preciso mapa tridimensional da galáxia. 1700 artigos científicos publicados. Novos dados até 2030
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou que foi desativada a sonda espacial ‘Gaia’, que ao longo de onze anos teve por missão observar mais de dois mil milhões de estrelas da Via Láctea para criar o maior mapa da galáxia. A participação portuguesa esteve centrada no trabalho do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP).
A equipa coordenada por André Moitinho contribuiu em áreas como o controlo da qualidade dos dados, calibração astrométrica, reconstrução de imagem e otimização de parâmetros de observação.
O telescópio espacial da sonda “registou mais de três biliões de medições, revelando detalhes sobre a estrutura, a composição e a evolução da Via Láctea, incluindo colisões com outras galáxias, enxames estelares desconhecidos, buracos negros, exoplanetas e milhões de galáxias distantes”, divulgou o laboratório português. O telescópio, que estava a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, captou imagens para cartografar a Via Láctea em três dimensões.
A sonda foi desativada, na quinta-feira, porque as reservas de combustível estavam a esgotar-se.
Desde 2013 foram produzidos cerca de 1700 artigos científicos com base nos dados recolhidos pela ‘Gaia’. O trabalho dos cientistas não está, contudo, ainda terminado. O LIP prevê que a “grande entrega de dados científicos está prevista para 2026 e o catálogo final após 2030”.
O engenho da ESA está no espaço desde 19 de dezembro de 2013. Foi lançado num foguetão russo ‘Soyuz’ do Centro Espacial Europeu de Kuru, na Guiana Francesa.
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