Cirrose ainda é a principal causa de transplantes hepáticos em Portugal
Apesar de os números do cancro do fígado estarem "mais ou menos estáveis", doenças causadas pelo consumo de álcool continuam a preocupar. Listas de espera por um órgão podem chegar a um ano.
A cirrose alcoólica continua a ser "muito prevalente" em Portugal e ainda é a principal causa de transplantes de fígado no País, com o consumo de álcool a ser um problema. Isto apesar de, cada vez mais, surgirem “outras doenças ligadas, sobretudo, ao fígado gordo”, diz Hugo Pinto Marques, diretor de cirurgia-geral e da Unidade de Transplantação da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa. De acordo com o clínico, que falou ao CM por ocasião do Dia Mundial do Fígado, celebrado este domingo, estas patologias surgem associadas a outras doenças, como a hipertensão, a obesidade ou diabetes.
Apesar do aparecimento destas doenças, o cancro do fígado continua a ser o inimigo clássico que ainda preocupa, muito embora os números se mantenham “mais ou menos estáveis”. Contudo, “hoje em dia, esses doentes são referenciados para transplante também”, explica Hugo Pinto Marques. Mas nem tudo é negativo, segundo diz, uma vez que os casos de hepatite B e C têm vindo a diminuir graças à vacinação e à medicação, respetivamente.
Neste momento, Portugal está “entre os países com mais doadores”. Os números de doações de 2025 ainda não são conhecidos, mas Hugo Pinto Marques refere que “há muita gente que precisa de um transplante e não tem um órgão a tempo”. As listas de espera variam consoante o tipo sanguíneo, havendo “doentes que podem ter de esperar um ano”. Em 2025, foram feitos 246 transplantes em todo o País, 110 dos quais só na ULS de São José.
No que toca aos transplantes, Portugal é pioneiro nas cirurgias robóticas. Desde o primeiro procedimento, feito em 2024, Hugo Pinto Marques refere que existem 36 doentes transplantados com esta técnica, realizada apenas na ULS de São José.
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