Colégios com alunos com necessidades educativas especiais dizem estar "à beira do colapso"

Angustia dos diretores é sentida também pelos pais.

18 de junho de 2026 às 19:56
Colégios com alunos com necessidades educativas especiais dizem estar "à beira do colapso" Foto: Direitos Reservados
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Colégios que recebem meio milhar de alunos com necessidades educativas especiais dizem estar "à beira do colapso" e em risco de encerrar por falta de atualização dos apoios estatais.

Através de acordos com o Governo, colégios da zona de Lisboa recebem todos os anos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) a que a escola regular não consegue dar resposta, mas dizem estar "à beira da rutura", por falta de verbas e por isso vão concentrar-se na próxima semana em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).

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"As escolas recebem mensalmente 716 euros por aluno, mas era preciso, no mínimo, mil euros para conseguir pagar salários e garantir a qualidade de ensino", disse à Lusa Fernanda Martins diretora do Externato Alfredo Binet.

"No início do ano foi possível iniciar uma negociação com o ministério, que nos garantiu um aumento intercalar de 10% e prometeu um aumento definitivo para vigorar a partir de setembro. Recebemos os 10%, mas continuamos sem saber qual será o valor definitivo", acrescentou o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

Segundo Rodrigo Queiroz e Melo, as escolas irão funcionar normalmente até ao final do ano letivo, até 31 de julho, mas a situação poderá complicar-se já em setembro.

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É que além das "verbas insuficientes", os colégios queixam-se de ainda não saber quantos alunos terão no próximo ano letivo.

Em janeiro, manifestaram-se junto ao MECI e agora vão voltar para a rua: diretores, professores, funcionários pais e alunos vão protestar a 24 de junho e a 1 de julho em frente ao ministério.

"Os nossos alunos são casos muito complexos que a escola regular não consegue dar resposta e já temos as equipas muito esticadas. A situação financeira dos colégios é, de um modo geral, muito frágil", alertou Isabel Beirão, diretora do Colégio Eduardo Claparède.

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Os 83 alunos do Eduardo Claparède, por exemplo, são diariamente apoiados por uma equipa de 29 funcionários. "O ministério subiu a verba por aluno para 716 euros, mas o valor não pode ficar abaixo dos mil euros", defendeu, alertando que "se não houver reforço financeiro algumas escolas vão encerrar, porque é completamente inviável".

A angustia dos diretores é sentida também pelos pais, contou.

O encaminhamento de alunos com necessidades educativas da escola regular para os colégios de ensino especial é feito pela DGEstE, após avaliação específica de cada caso, e só acontece se as medidas de apoio na escola regular forem comprovadamente insuficientes.

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Mas os diretores dizem que com a recente extinção da DGEstE não sabem que serviço assegurará estes encaminhamentos.

Fernanda Martins, do Externato Alfredo Binet, frequentado por 113 alunos, diz que o reforço de verbas dado este ano pelo MECI "ajuda, mas não resolve o problema para a abertura do próximo ano letivo".

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