Colégios exigem revisão do valor pago por aluno sem vaga na escola pública

Cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano começam esta semana mais um ano letivo.

14 de setembro de 2021 às 17:09
escola, sala, alunos, aula, costas Foto: Jorge Paula
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A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) quer que o Governo aumente o valor pago por turma, referindo que se mantém inalterado desde 2015 enquanto o custo dos alunos da rede pública subiu 30%.

A associação que representa as escolas privadas diz que se nos últimos anos o valor pago por cada aluno que recebem por falta de vagas na rede pública se manteve inalterado e que está muito abaixo do custo de cada aluno nas escolas públicas.

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A posição da AEEP surge na sequência de declarações do ministro da Educação que, em entrevista à Lusa, revelou que o custo anual médio de um aluno numa escola pública é atualmente de 6.200 euros.

Já os estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino privados por falta de oferta na escola pública custam ao Estado 3.700 euros, segundo dados da AEEP avançados à Lusa em comunicado.

O custo por aluno numa escola pública estatal "é praticamente o dobro do que o Estado paga por aluno numa escola com Contrato de Associação", sublinha a AEEP.

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Em entrevista à Lusa, Tiago Brandão Rodrigues disse ainda que o valor médio apurado para 2021 é cerca de 30% acima do montante relativo a 2015, quando iniciou o seu primeiro mandato como ministro. Ou seja, o custo médio anual por aluno subiu de 4.700 euros para 6.200 euros.

Já o valor atribuído aos estabelecimentos de ensino particulares manteve-se inalterado nos últimos anos: "Em 2015, o Estado pagava nos Contratos de Associação 80.500Euro/turma, o que representa -- numa turma em média com 22 alunos -- 3.700Euro/aluno. Em 2021, este valor mantém-se", escreve a AEEP.

"Se em 2015 o valor por turma nos Contratos de Associação já era desajustado quando comparado com a escola pública estatal, hoje essa diferença é abissal, desadequada, injusta e deve ser revista", defende a associação.

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A AEEP reivindica, por isso, que deve ser atualizado o valor do contrato de associação em linha com o aumento do custo por aluno no Estado, sublinhando que mesmo com uma atualização, "o custo para o Estado de um aluno em contrato de associação continuará a ser significativamente inferior ao custo por aluno numa escola Estatal".

Em 2015, o Ministério liderado por Tiago Brandão Rodrigues decidiu rever os contratos de associação celebrados entre o Estado e as instituições privadas. As negociações foram levadas a cabo pela então secretária de Estado Adjunta e da Educação Alexandra Leitão (atual ministra da Modernização do Estado) que conseguiu reduzir o número de turmas.

Segundo contas feitas pela AEEP, a redução dos contratos de associação representa um custo anual de cerca de 66 milhões de euros:

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"Neste momento, cada aluno em contrato de associação custa ao Estado 3.700Euro ao passo que o mesmo aluno numa escola pública custa 6.200Euro. A opção de reduzir os contratos de associação tomada em 2015 custa anualmente ao contribuinte cerca de 66.000.000Euro", lê-se no comunicado.

Cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano começam esta semana mais um ano letivo.

Quase 20% das crianças e jovens do pré-escolar, básico, secundário ou superior frequentam estabelecimentos de ensino privados, segundo dados relativos a 2020. 

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