Companhias aéreas em Portugal admitem cancelamentos e subida de preços se crise persistir

Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) disse, esta quinta-feira, que, para já, não há impacto na operação.

16 de abril de 2026 às 18:05
Avião Foto: Pexels
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A Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) disse, esta quinta-feira, que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.

A reação da associação surge depois de o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, ter avisado, esta quinta-feira, que a Europa terá "talvez mais seis semanas de combustível para aviões" se continuar bloqueado o abastecimento de petróleo e gás através do Estreito de Ormuz.

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Em declarações à Lusa, o diretor-executivo da RENA, António Moura Portugal, considerou que o alerta deve ser lido como "mais um aviso sério às consequências que esta guerra está a ter, e em particular para o setor da aviação".

Segundo o responsável, a escassez de combustível de aviação é um risco teórico que está em cima da mesa e que poderá afetar o setor aéreo, à semelhança de outras atividades dependentes de matérias-primas críticas.

"Há uma dependência grande do 'jet fuel' que chega à Europa através do Golfo, que chegou a ser de cerca de 75%, [mas] hoje creio que é menos", apontou.

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Mas no cenário de a crise energética se prolongar, admite que "pode levar à necessidade de reduzir a operação e, eventualmente, encarecer preços".

António Moura Portugal sublinhou, contudo, que as companhias aéreas continuam numa fase de expectativa e acompanhamento da evolução do conflito, sem medidas drásticas em Portugal relacionadas com a crise no Médio Oriente.

"Até hoje não vi do lado das companhias aéreas [em Portugal] nenhum tipo já de definitividade", afirmou, acrescentando que "neste momento há uma certa expectativa" e que, para já, quer deixar "esta palavra de tranquilidade".

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De acordo com o responsável, a monitorização feita pelo setor aponta, nesta fase, para "alguma estabilidade em termos de preços", embora admita que a partir de junho possa haver maior clareza sobre as reservas disponíveis e o planeamento das operações.

"Isto é uma indústria onde o planeamento é feito com três, quatro, cinco, seis, sete meses de antecipação. É possível que, a partir de junho, haja maior clarificação sobre aquilo que são as reservas disponíveis e um planeamento mais objetivo", detalhou.

Se o cenário evoluir para escassez, acrescentou, a reação natural poderá traduzir-se em revisão em alta dos preços das viagens, embora ressalve que o impacto dependerá sempre das políticas de cada companhia, das fontes de abastecimento e dos mecanismos de proteção de que disponha.

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O responsável admitiu que, se não houver restabelecimento normal da cadência de fornecimento, poderá surgir escassez, obrigando o setor a tomar decisões com impacto direto na operação.

"Havendo escassez são opções que têm de ser tomadas e que levarão à retração da atividade, que levarão à diminuição de voo e à diminuição de conectividade", afirmou.

António Moura Portugal defendeu também que, neste contexto, a Comissão Europeia deve reavaliar alguns fatores que, no entender do setor, estão a aumentar os custos da atividade, incluindo regras ligadas a 'slots' [faixas horárias para aterrar e descolar], metas ambientais associadas a combustíveis alternativos e aspetos de natureza fiscal.

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Questionado sobre a dimensão de uma eventual subida de preços, respondeu que "qualquer número que se coloque em cima da mesa será sempre especulativo".

Quanto aos passageiros que já compraram bilhetes, salientou que o enquadramento legal os protege e que o valor pago não poderá ser alterado.

"Neste momento, o preço é o que foi contratualizado" e "a companhia terá de honrar esse contrato", afirmou.

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A principal incerteza, indicou, prende-se com a possibilidade de alguns voos poderem vir a ser cancelados ou de alguns destinos deixarem de poder ser operados por razões de segurança, nomeadamente se estiverem ligados a espaços aéreos encerrados ou zonas próximas do conflito.

Nesses casos, acrescentou, o passageiro terá direito ao reembolso, frisando que "ninguém ficará desprotegido aqui".

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