Crocodilos já foram bípedes, sem dentes e com boca em forma de bico

Descoberta recente no Novo México permite compreender melhor a evolução destes répteis. Antepassado agora identificado terá vivido na era Triássica, há mais de 200 milhões de anos.

01 de junho de 2026 às 01:30
Crocodilos bípedes e sem dentes foram descobertos no Novo México Foto: Jorge Gonzalez
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Bípede, sem dentes, com braços pequenos e uma boca em forma de bico. Eram assim nos crocodilos no período Triássico, que aconteceu há cerca de 201 milhões a 251 milhões de anos e antecedeu a era dos dinossauros. Nessa altura, a Terra era habitada por uma variedade criaturas, incluindo este antepassado do crocodilo, recém-descoberto na Formação Ghost Ranch, no Novo México.

A existência do ‘Labrujasuchus expectatus’  foi documentada num estudo publicado esta semana no Journal of Vertebrate Paleontology. Segundo os investigadores, o animal, também conhecido como ‘crocodilo-bruxa’ seria muito parecido aos ornitomimossauros. Estes dinossauros bípedes existiram no período Cretácico (cerca de 100 milhões de anos após a era em que este antepassado do crocodilo viveu).

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Segundo Alan Turner, investigador da Universidade Stony Brook e autor principal do estudo liderado pelo Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, “muitas das estratégias bem-sucedidas dos animais modernos e dos dinossauros não-avianos surgiram pela primeira vez no Triássico”. Os ‘Shuvosauridae’, um grupo de parentes do crocodilo atual mais próxima dos dinossauros bípedes, “são um ótimo exemplo desta evolução convergente”, disse.

O local onde estes vestígios foram encontrados é tudo menos fortuito. Em Ghost Ranch, há quatro sítios arqueológicos escavados ao longo de décadas, que têm permitido aos investigadores descobrir fósseis do Triássico. “Talvez nenhum outro lugar na Terra ofereça uma melhor perspetiva” sobre esta era, disse Alan Turner. Segundo a revista ‘Scientific American’, os primeiros vestígios destes répteis “foram descobertos em 2006”. Vinte anos depois, “os ossos desta nova espécie indicavam uma ligeira diferença” em relação às descobertas anteriores, sobretudo ao nível do úmero do animal. Serão também mais recentes (terão por volta de 212 milhões de anos). “Olhamos para todos esses pequenos detalhes, porque essas são as coisas que a evolução molda e permitem perceber as ramificações familiares dessa forma”, disse Alan Turner, citado pela ‘Scientific American’.

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