De telemóvel e filtros em punho: saiba como fotografar o eclipse

Presidente da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores refere que é possível fotografar o fenómeno com dispositivo móvel. É, no entanto, necessário "um filtro solar", que pode ser o dos óculos certificados para ver o Sol.

09 de agosto de 2026 às 01:30
Eclipse solar poderá ser eternizado na memória sem recorrer a telescópios ou máquinas caras. Foto: EPA
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O raro eclipse solar desta quarta-feira vai colocar Portugal (e a Europa) de olhos no céu. E, numa era em que as memórias são cada vez mais digitais, como preservar um registo do fenómeno? "Basta um telemóvel", diz ao CM Pedro Ré, presidente da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores (APAA), que garante não compreender os apelos para evitar fotografias com os dispositivos móveis. "Isso não faz sentido", assume, exemplificando que, em muitas ocasiões, "o Sol é fotografado diretamente", como ao final da tarde, "de modo que isso não estraga o equipamento". Mas "se se tentar fotografar diretamente, não se apanhará nada, porque os telemóveis não foram feitos para fotografar o Sol ou a Lua".

A chave para obter uma imagem do fenómeno são os filtros solares - sejam ou não dos óculos certificados para a observação segura do eclipse. Segundo o também professor catedrático na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), "se se colocar um filtro dos óculos à frente do telemóvel e fizer uma fotografia, não sairá nada de especial, porque o Sol ficará com pequenas dimensões. Mas consegue fotografar-se bem". Para uma fotografia com maior definição, seria necessário outro tipo de equipamento, como máquinas digitais (também com um filtro próprio, para evitar lesões nos olhos) e telescópios próprios para o efeito.

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Por isso, Pedro Ré - que já testemunhou presencialmente dois eclipses totais do Sol, na Roménia e no Egito - deixa uma sugestão: "Em vez de fotografar diretamente o Sol, quem assistir ao eclipse pode fazer um vídeo do ambiente. Ver como escurece e como as pessoas testemunham o fenómeno. Há muita coisa que se pode fazer para registar o momento."

E como as células do olho humano vão demorar a processar a diferença de luz (uma vez que a obscuridade vai demorar apenas 23 segundos), os telemóveis vão registar melhor o momento. Mas, reitera Pedro Ré, "há que utilizar sempre os olhos durante todo o fenómeno".

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