Deco recomenda ao Governo que proíba empresas de cortarem funcionalidades após fidelização

Deco refere que o fenómeno da degradação de produtos e serviços se tornou numa "estratégia de negócio".

27 de fevereiro de 2026 às 13:32
Deco Proteste Foto: Direitos Reservados/Facebook
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A associação Deco enviou ao Governo recomendações sobre o impacto da diminuição da qualidade dos serviços digitais, sugerindo designadamente que as empresas não possam cortar funcionalidades aos consumidores quando termina o período de fidelização.

Numa nota à imprensa, a Deco refere que o fenómeno da degradação de produtos e serviços, em particular os digitais, se tornou numa "estratégia de negócio", sendo "já apelidado de 'merdificação' (ou 'enshittification')", caracterizando quando um serviço inovador e útil que conquistou o consumidor se deteriora, com corte de funcionalidades, imposição de anúncios, criação de barreiras e, por fim, aumento dos preços.

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Como exemplos de práticas de degradação dos serviços, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor cita "o feed do Instagram e do Facebook, quando este deixa de "priorizar conteúdos de amigos para favorecer publicidade e conteúdos pagos", quando as pesquisas no Google se tornam "menos transparentes e mais densas em resultados patrocinados", ou quando as plataformas de 'streaming' "transformaram assinaturas em vitrinas de 'upselling' [técnica de venda destinada a incentivar os consumidores a comprarem uma versão superior do serviço], com catálogos fragmentados e ofertas adicionais pagas".

"No fim, só pagando é que o consumidor consegue voltar a ter acesso à qualidade mínima com que aderiu inicialmente", enquadra a Deco, que pede ao Governo medidas para impedir práticas que diz serem inaceitáveis.

"Para a Deco isto é inaceitável e é fundamental que o Estado proíba, legalmente, todas as empresas, independentemente da sua natureza, volume de faturação ou dimensão de" praticarem uma série de decisões.

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A associação considera que o Estado deve proibir as empresas de "deteriorar as condições ou a qualidade dos seus serviços", impedindo desqualificações injustificadas, de "retirar funcionalidades essenciais após a fidelização do consumidor, garantindo a durabilidade e a estabilidade dos serviços".

Para a associação, o Estado deve "impedir a portabilidade para outros serviços ou tornar os serviços mais onerosos caso o consumidor não dê o seu consentimento para o tratamento dos seus dados pessoais", de "alterar ou descontinuar serviços sem garantias de salvaguarda claras para os consumidores" e de "dificultar o exercício de direitos, condicionar a autonomia ou a tomada de decisão por parte dos consumidores, proibindo práticas que criem dependência artificial".

Além de se dirigir ao Governo com estas recomendações, a Deco apela para que as autoridades de regulação do mercado ajam para fiscalizar as práticas das empresas.

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"A Deco exige mais fiscalização por parte das autoridades nacionais, designadamente na área da concorrência, em cenários em que os gigantes tecnológicos aprisionam cada vez mais os consumidores a ecossistemas fechados, onde a alternativa é inexistente ou artificialmente difícil", conclui.

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