Dezenas de pessoas retiradas das aldeias ameaçadas pelas chamas. Portugal pede ajuda a Espanha e Marrocos para o combate

"Temos todo o território sob risco muito elevado", apontou o primeiro-ministro.

04 de julho de 2026 às 01:30
Incêndio que começou em Vouzela é o que mais preocupa, com várias frentes em pelo menos quatro concelhos Foto: Direitos Reservados
Incêndio que começou em Vouzela é o que mais preocupa, com várias frentes em pelo menos quatro concelhos Foto: Paulo Novais/Lusa

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Portugal ativou na sexta-feira o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos, para ajudar ao combate aos incêndios que grassam de Norte a Sul do País. "Temos todo o território sob risco muito elevado e entendemos que seria mais adequado termos disponibilidade e um reforço vindo dos nossos aliados, nesta altura, contra o fogo", disse Luís Montenegro em conferência de imprensa, no final da reunião do Conselho de Ministros, em Guimarães. O Ministério da Administração Interna anunciou que foram pedidos dois aviões Canadair a Espanha e outros dois a Marrocos. Foi ainda pedida uma equipa da Unidade Militar de Emergências, das Forças Armadas espanholas, para apoiar no combate aos incêndios rurais.

Quase 3 mil bombeiros, apoiados por 870 viaturas e 33 meios aéreos, combatiam na sexta-feira a meio da tarde os mais de 120 incêndios ativos de Norte a Sul do País. Ao segundo dia de calor extremo, o fogo não deu tréguas, com os incêndios de Vouzela, com mais de 1100 bombeiros, Póvoa de Lanhoso e Barcelos a concentrarem maiores preocupações das autoridades.

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Ao longo do dia, dezenas de pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas devido ao avançar das chamas em várias aldeias. Em Vale do Cobro, Setúbal, um incêndio que deflagrou a meio da tarde e destruiu um automóvel, ameaçou várias habitações. Obrigou à mobilização de 143 bombeiros e 3 meios aéreos. Em Barcelos, centenas de moradores das freguesias de Grimancelos, Chavão, Negreiros, Viatodos e Monte de Fralães passaram a madrugada de quinta-feira para sexta-feira em claro. “Passamos a noite de mangueira na mão. Se não fossem os nossos vizinhos tinha sido uma desgraça”, disse Fátima Silva, ainda com o coração nas mãos, enquanto via o marido e o filho, com outros vizinhos, a tentarem apagar o fogo que reacendeu num terreno com eucaliptos, junto à sua casa, em Grimancelos.

O incêndio na zona da serra do Caramulo era o que mais meios mobilizava, com mais de 1100 operacionais, 357 viaturas e 11 meios aéreos. O fogo que começou em Vouzela e que na sexta-feira lavrava em mais três concelhos - Tondela, Águeda e Oliveira de Frades - tendo feito cinco feridos, tinha cinco frentes ativas às 16h30, com vários focos espalhados devido à ação do forte vento. As populações de Matadagas e Mansores, em Tondela, foram retiradas das aldeias, enquanto em Cambra (Vouzela), uma fábrica de componentes de madeira ficou totalmente destruída.  

Registados 43.9ºC no Alentejo

Quinta-feira foi o dia mais quente do ano, com o registo de 43.9ºC em Alvalade (Santiago do Cacém) e Mora, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Em 26 estações meteorológicas registaram-se mais de 40ºC, incluindo em Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Santarém. Em 49 estações, a temperatura mínima foi igual ou superior a 20ºC - Fóia, em Monchique, registou 26.1ºC de mínima. No dia de sexta-feira, vários locais voltaram a registar mais de 40ºC.

Máximas previstas para o fim de semana

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