Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros de Sever apresentou a demissão
Demissão da direção da Associação Humanitária surge na sequência de um conflito com o corpo de bombeiros.
A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros de Sever do Vouga apresentou a sua demissão, levando os 62 bombeiros que tinham passado à inatividade a regressar ao corpo ativo, garantiu esta quinta-feira fonte da autarquia.
Em declarações à agência Lusa, a vice-presidente da Câmara de Sever do Vouga, Paula Coutinho, disse que a decisão foi tomada durante uma reunião que decorreu na quarta-feira na autarquia e que reuniu a direção da associação e elementos do corpo ativo.
"O município esteve desde o início a tentar mediar esta situação e ontem [quarta-feira] conseguiu-se um ponto de convergência para que o socorro se mantenha. Ambas as partes cederam e conseguiu-se que os voluntários e os bombeiros voltassem e, portanto, está solucionada a situação", disse Paula Coutinho.
A demissão da direção da Associação Humanitária surge na sequência de um conflito com o corpo de bombeiros que se arrasta há meses entre os bombeiros e a direção, liderada por Joaquim Macedo.
A vice-presidente deixou um agradecimento a ambas as partes que cederam para se conseguir este ponto de equilíbrio, adiantando que, a partir de agora, a instituição ficará em regime de gestão corrente até à realização de novas eleições.
"Mas, o importante aqui é que houve um ponto de convergência e que o socorro está garantido para todos os severenses, e isso é ótimo e foi nisso que nós também nos empenhamos para que houvesse aqui uma solução e que fosse colocado os interesses dos severenses acima de tudo", sublinhou a autarca.
O oficial principal Fernando Lourenço, que regressou esta quinta-feira à atividade, irá assumir o comando em regime de substituição, sucedendo a Telmo Asensio.
"O pessoal está contente por ter voltado e está motivado", disse à Lusa o comandante, que espera que a nova direção que vier a ser eleita "seja dinâmica e que olhe para os seus bombeiros, e que venha para trabalhar em conjunto com o quadro de comando que for nomeado".
Na segunda-feira, 62 bombeiros do corpo ativo decidiram passar à inatividade, incluindo o comandante da corporação Telmo Asensio e o adjunto de comando José Pereira, tendo-se mantido em funções cerca de 15 elementos.
A agência Lusa contactou o presidente da direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga, Joaquim Macedo, mas até ao momento não obteve resposta.
No início deste ano, cerca de sete dezenas de bombeiros de Sever do Vouga escreveram uma carta aberta a pedir a substituição da atual direção da Associação Humanitária, que acusam de tomar "decisões menos acertadas" que "afetam e interferem com as dinâmicas do corpo de bombeiros".
Além de carências ao nível dos equipamentos de proteção individual, os bombeiros queixam-se da falta de investimento direto em aquisições de viaturas de socorro e más condições de conforto no quartel.
No plano organizacional e de gestão, os bombeiros acusam a direção de interferência em questões operacionais, com ordens dadas diretamente a bombeiros, e ingerência na resposta ao socorro, interferindo com a organização e dinâmicas instituídas.
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