Diretores pedem que tutela explique como serão disponibilizados exames aos alunos
Este ano, pela primeira vez, foram digitalizadas cerca de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos e, devido aos problemas no processo de correção, o Ministério da Educação decidiu que todos os alunos iriam ter acesso aos seus exames corrigidos.
Os diretores escolares querem saber se serão chamados para ajudar no processo que permitirá aos alunos ter acesso aos exames nacionais, pedindo ao ministério da Educação que explique como tudo será operacionalizado.
"Os diretores estão preocupados. Sabendo que é uma novidade no sistema educativo, queremos saber como se vai operacionalizar o processo. Até poderá não passar por nós, mas duvido muito e, se passar, temos de saber o que fazer", diz o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Este ano, pela primeira vez, foram digitalizadas cerca de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos e, devido aos problemas no processo de correção, o Ministério da Educação decidiu que todos os alunos iriam ter acesso aos seus exames corrigidos.
A uma semana de serem afixadas as notas dos cerca de 166 mil alunos, Filinto pede à tutela que esclareça como tudo será feito.
Também a Lusa questionou esta semana o ministério sobre esse assunto, mas ainda não obteve qualquer resposta.
Quanto à correção das provas, Filinto Lima sentiu que, nos últimos dias, "as queixas diminuíram, mas continua a haver problemas".
O também diretor de um agrupamento de escolas mostra-se preocupado com a quantidade de trabalho que os professores corretores estão a receber: "Estes professores são também umas das grandes vítimas desta situação", alertou, lembrando que estes docentes estiveram durante todo um ano letivo a dar aulas e, muitos deles, estão agora assoberbados com provas para classificar.
Tanto o movimento cívico MetaProf como a Missão Escola Pública voltaram esta sexta-feira a criticar o facto de os docentes desconhecerem o volume de trabalho que ainda têm pela frente, porque "quando terminam a correção e classificação do lote de itens que lhes foi atribuído, recebem outro lote", disse Pedro Brito, porta-voz da MetaProf.
Os serviços do Ministério da Educação avisaram na quinta-feira que iria haver mais uma intervenção programada na plataforma de exames para "trabalhos de correção de erros de um grupo de itens para classificação", acrescentou o porta-voz do MetaProf.
As intervenções decorreram durante quinta e sexta-feira "para resolver constrangimentos detetados", segundo a nota recebida pelos professores classificadores.
À Missão Escola Pública não chegaram até agora quaisquer relatos de professores impedidos de aceder à plataforma por causa destas atualizações. A informação foi corroborada por Filinto Lima, que garantiu que a plataforma "está a funcionar normalmente".
A quatro dias da conclusão do processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário, continua a haver relatos de falta de folhas de resposta e de um aumento contínuo de itens para corrigir.
Além disso, nos fóruns onde os professores classificadores podem tirar dúvidas quanto à correção das provas, os supervisores que coordenam essas equipas estão a pedir aos docentes que atribuam uma nota às respostas, mesmo que não cheguem todas as folhas em falta, contou Cristina Mota.
Num dos fóruns, um supervisor questionado sobre o que fazer perante uma resposta incompleta respondeu: "Deve aguardar que lhe enviem a página em falta. Se isso não acontecer até ao fim do processo, deve classificar com os dados que tem".
A Lusa recebeu outra denúncia de um professor a quem foi dito que comunicasse o problema ao agrupamento. "Em caso de resposta inconclusiva, classifique o que tem. O aluno mais tarde poderá recorrer", foi a resposta que recebeu do supervisor.
Estas respostas são públicas e dirigidas a todos os que estão naquele fórum, para se evitar a repetição de questões, explicou Cristina Mota.
A Lusa questionou o Ministério da Educação e o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) sobre estas indicações que estão a ser dadas aos professores, mas ainda não obteve resposta.
O ministro da Educação revelou na quinta-feira que já estavam corrigidas mais de 75% das provas e mostrou-se confiante que as pautas serão afixadas dia 17.
Cristina Mota lamenta que o grande objetivo, neste momento, seja "no dia 17 ter as pautas afixadas a qualquer custo".
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