Distância penaliza acesso ao ensino superior
Estudantes de cursos científico-humanísticos mais penalizados. Nos cursos de Medicina, fatores socioeconómicos são o principal condicionante da mobilidade.
A distância é um dos fatores mais penalizadores na mobilidade dos estudantes no acesso ao Ensino Superior. Esta é uma das principais conclusões do relatório 'Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior', do EDULOG, da Fundação Belmiro de Azevedo, que é divulgado esta quarta-feira. O estudo baseou-se em dados administrativos de 724 mil diplomados do secundário residentes em Portugal continental, entre 2013/14 e 2022/23, e em 210 mil fluxos município-Instituição de Ensino Superior (IES).
O estudo conclui que a distância é um dos fatores mais penalizadores da mobilidade dos estudantes, reduzindo significativamente os fluxos, sobretudo entre os diplomados de cursos científico-humanísticos. Já os diplomados de cursos profissionais "tendem a realizar percursos mais curtos e concentram as suas escolhas em instituições politécnicas e opções de proximidade", refere o relatório.
No caso dos cursos de Medicina, "a distância e as características institucionais deixam de ser os principais condicionantes da mobilidade, dando lugar a fatores de natureza socioeconómica, em particular a maior representatividade do ensino privado nos municípios de origem", lê-se no relatório. A forte atratividade de Medicina, com elevados retornos e prestígio, "levam os estudantes a aceitar maiores cursos de deslocação, atenuando o efeito dissuasor da distância".
Os responsáveis do estudo frisam que "mesmo num curso de elevada atratividade nacional, a mobilidade de estudantes continua a refletir barreiras de equidade, reproduzindo desigualdades sociais no acesso ao ensino superior". Isto deve-se à concentração da oferta em poucas instituições, todas em centros urbanos, o que "gera padrões de mobilidade distintos e pode contribuir para desequilíbrios territoriais, designadamente na fixação futura de médicos em regiões periféricas".
"O EDULOG sublinha a necessidade de reforçar políticas públicas que reduzam as barreiras territoriais e evitem que a diferenciação institucional aprofunde as desigualdades", quer com apoios diferenciados à mobilidade, reforço do ensino superior no interior em áreas como a saúde, tecnologia e energias renováveis, e a monitorização de desigualdades no acesso consoante o antecedente escolar.
15 municípios sem alunos de Medicina
Em dez anos, houve 15 municípios que não tiveram qualquer estudante num curso de Medicina. Aljezur, Pampilhosa da Serra, Alter do Chão, Ferreira do Alentejo, Penamacor, Constância, Golegã, Ourique, Meda, Mação, Ferreira do Zêzere, Carrazeda de Ansiães, Redondo, Chamusca e Aljustrel são os municípios sem representatividade nos cursos superiores de Medicina entre 2014 e 2023.
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