Igreja responde com Camões à polémica leitura sobre submissão das mulheres
Conferência Episcopal Portuguesa contra atualização da Bíblia.
Mudar o texto da Bíblia, “para que não se deem interpretações incorretas”, equivaleria a mudar os “versos épicos de Camões, porque não correspondem à mentalidade atual e até, em alguns casos, podem causar escândalo”, escreve a Conferência Episcopal Portuguesa.
Numa “nota de esclarecimento” emitida a propósito da polémica leitura de São Paulo na missa de domingo, transmitida pela RTP, aquela estrutura diz que é preciso atender ao contexto em que as palavras foram escritas.
O texto de São Paulo – que suscitou a ira de políticos e figuras públicas nas redes sociais – diz: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja.”
Alguns evocaram a situação das mulheres no Afeganistão, agora dominado pelos talibãs, para repudiar uma passagem que, dizem, atenta contra a dignidade feminina. A Conferência Episcopal Portuguesa responde que “Paulo se situa no contexto legal do direito familiar romano, que concedia melhores direitos às mulheres do que a maioria das culturas da época” e recorda que “este quadro permaneceu nas gerações sucessivas, concretamente no direito português, até há pouco tempo”.
A deputada não inscrita Cristina Rodrigues foi uma das personalidades que defendeu, no Twitter, que “deviam atualizar” os textos bíblicos, mas a Igreja considera que “isso seria cair na arbitrariedade e na ditadura das modas e na imposição da cultura única”.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt