Docente budista diz que tradições da religião podem ajudar Ocidente a preparar-se para o fim da vida

Yesche Regel é um dos palestrantes convidados do 15.º Simpósio "Aquém e Além do Cérebro", promovido pela Fundação Bial, que decorre de 8 a 11 de abril, na Casa do Médico, no Porto.

09 de abril de 2026 às 14:58
Monges budistas Foto: Sanjay Baid/EPA
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O docente e conferencista de meditação budista Yesche Regel afirmou esta quinta-feira à Lusa que as tradições desta religião sobre a morte podem ajudar o mundo ocidental a preparar-se para o fim da vida.

Yesche Regel é um dos palestrantes convidados do 15.º Simpósio "Aquém e Além do Cérebro", promovido pela Fundação Bial, que decorre de 8 a 11 de abril, na Casa do Médico, no Porto.

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Questionado pela Lusa se a explicação para essa "não preparação para a morte" no lado ocidental no planeta está relacionada com outras religiões, o docente respondeu: "o que eu sei sobre as crenças ocidentais é que elas são um pouco simples. No céu ou no inferno, acredita-se que há uma alma".

Para o especialista alemão "qualquer religião tem uma perspetiva espiritual", acrescentou, lembrando ser budista e que, por isso, "não entra em nenhum tipo de julgamento de outras religiões".

"Não sei se o budismo tem a verdade absoluta sobre isso, é também uma tradição antiga, com 2.500 anos, mas sinto que eles têm uma visão mais diferenciada do que acontece entre mente e corpo", continuou, lembrando que na Ásia "há crenças muito diferentes sobre o que acontece no momento da morte, como os hindus, ou os budistas zen do Japão".

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Admitindo ser um tema assustador, pois "a ideia de que tudo parou e não há mais nada pode ser assustadora, mas também de que há experiências desconhecidas além do momento da morte", Regel assinala que o budismo do Tibete alerta para isso "como forma da pessoa se preparar para a morte".

Sobre a reencarnação, recorreu aos ensinamentos para defender que "os budistas acreditam que há sempre um pensamento antes da manifestação. Antes de existir qualquer aparência física, há um impulso mental, aquilo que chamam de karma".

"Há karmas bons e maus, karmas positivos e negativos. Há também karmas de feitiços, de ações, de intenções, como desejos bons e atitudes mentais positivas. Ter uma intenção é já um karma, e se você está feliz com o que fez, é um karma muito forte", resumiu o docente de budismo.

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E sublinhou: "A decisão cabe sempre a nós. Seremos nós a decidir que tipo de karma vamos seguir. E estar ciente significa ter uma consciência constante dessa realidade. Estamos constantemente a desenhar e a moldar essa realidade".

Regel defende que na sua passagem terrena, o ser humano "cumpre processos karmicos" e que "se houvesse maior consciência das consequências das ações por quem as pratica, muitos dos problemas que atualmente o mundo enfrenta não teriam acontecido".

Questionado se considera um processo karmico o facto do Dalai Lama (líder espiritual dos budistas tibetanos) viver há 67 anos exilado na Índia, após a invasão chinesa do Tibete, o docente respondeu citando o próprio líder religioso: "Nós podemos perder o nosso país, muitas pessoas podem perder as suas vidas, mas não devemos perder a nossa sabedoria, não devemos perder a nossa visão budista".

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"E eles conseguiram manter, não só a cultura, como as suas visões profundas sobre a mente, a vida, o karma", sublinhou Regel, referindo que para os tibetanos "essa é a coisa mais importante".

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