Doenças sexualmente transmissíveis podem ser testadas na Queima das Fitas de Coimbra
Teste, realizado por uma gota de sangue, é rápido e o resultado é imediato. No caso de dar positivo, a pessoa testada é encaminhada para uma consulta já com data definida na ULS de Coimbra.
O aumento das doenças sexualmente transmissíveis e das hepatites B e C levou a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra e a Associação Existências a efetuarem uma campanha de testes no início da Queima das Fitas.
Numa tenda montada na Praça da República, na alta da cidade de Coimbra, o Serviço de Doenças Infecciosas e o Serviço de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis do Departamento de Saúde Pública da ULS efetuam testes rápidos gratuitos a toda a população, mas sobretudo aos mais jovens.
O teste, realizado por uma gota de sangue, é rápido e o resultado é imediato. No caso de dar positivo, a pessoa testada é encaminhada para uma consulta já com data definida na ULS de Coimbra.
"É fundamental que as pessoas se testem pelo menos uma vez na vida no que diz respeito ao VIH (SIDA), às hepatites B e C e também à sífilis, porque os números estão de novo a aumentar", salientou esta sexta-feira à tarde aos jornalistas a infeciologista Cristina Valente.
A diretora do Serviço de Doenças Infecciosas da ULS de Coimbra frisou que, no caso dos jovens, "que estão no início das suas vidas, é fundamental fazerem um teste precoce e que não cheguem, como já se viu, com doenças muito avançadas".
Segundo Cristina Valente, muitos dos migrantes atualmente em Portugal "vieram com VIH e infeção pelo vírus da hepatite B".
Por outro lado, a médica aconselhou todas as pessoas a efetuarem o teste por poderem estar infetadas e nunca terem dado conta, muitas vezes por comportamentos de risco na adolescência.
A campanha, que vai no segundo dia e termina na segunda-feira, realizou até às 16h00 desta sexta-feira cerca de 60 testes, segundo o assistente social Paulo Anjos, presidente da Associação Existências, com intervenção em Coimbra, Viseu e Guarda na área da promoção da saúde junto de pessoas com relações muito específicas e muito vulneráveis.
"Todas as pessoas devem rastrear-se para estas infeções, mesmo que achem que não têm comportamentos sexuais de risco", disse o responsável, referindo que as pessoas sexualmente ativas devem fazer um teste pelo menos uma vez por ano.
O objetivo nesta campanha, segundo afirmou, é realizar 200 testes até ao final de segunda-feira.
De acordo com João Mota, do Departamento de Saúde Pública da ULS de Coimbra, a seguir à pandemia da Covid-19 as doenças sexualmente transmissíveis duplicaram imediatamente de incidência.
"Não temos conseguido baixar os números, que estão a concentrar-se em vários grupos populacionais, sobretudo jovens, migrantes, homens que fazem sexo com homens, dependendo da doença", afirmou.
Preocupado com a comunidade universitária, que representa grande parte da população itinerante e de entrada, João Mota considerou "especialmente relevante" esta iniciativa de testagem.
"O teste é gratuito, acessível e fácil, e esperamos que a divulgação tenha sido suficiente para quem queira realmente se testar até segunda-feira", enfatizou.
Apesar do aumento das doenças sexualmente transmissíveis em Portugal e na Europa, "numa subida sustentada e sem indícios de descida", João Mota referiu que o problema na região Centro não é tão elevado como nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto.
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