Educação: “Portugal caminha no sentido oposto ao da Suécia”
“Portugal caminha no sentido oposto ao da Suécia, com o fecho das escolas e mais alunos por agrupamento. Não estamos a ter a educação como um valor acima do orçamento”, declarou esta quinta-feira Paulo Guinote, autor do blogue ‘Educação do Meu Umbigo’, no âmbito do encontro promovido pelo Fórum para Liberdade de Educação, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Inserido no ciclo de encontros subordinado ao tema 'Reformas Educativas de Sucesso, o Fórum para a Liberdade de Educação convidou Mats Björnsson , ex-membro da Agência Nacional de Educação sueca que trabalhava no Ministério da Educação quando o país alterou o paradigma de um sistema de ensino de monopólio estatal para um sistema de ensino com liberdade de escolha da escola.
Na sua intervenção denominada ‘Liberdade de Escolha e das Escolas com contrato na Suécia: como, porquê e quais as consequências’, Mats Björnsson explicou, em traços gerais, a reforma educativa adoptada pela Suécia na década de 90, a qual que se baseou na universalidade de acesso ao ensino, na expansão da oferta escolar, na criação de escolas independentes com financiamento público, na possibilidade das escolas poderem contratar os seus professores e serem alvo de uma avaliação/inspecção cuidada e do municípios serem responsáveis por todos os alunos que residem na sua área geográfica.
A Suécia apostou, então, na criação de mais escolas, em estabelecimentos de ensino com menos alunos mas com mais docentes, uma realidade bem distinta daquele que é vivida em Portugal, já que as recentes políticas educativas determinaram o fecho de muitas escolas da rede pública, assim como a concentração de alunos em mega-agrupamentos.
“Durante muitos anos o Estado fez um enormíssimo investimento público no alargamento da rede pública de escolas. Essa expansão deveria ter sido feita em coordenação com a oferta privada. No entanto, o Estado passou por cima disso. Hoje existem muitas escolas que não têm os alunos suficientes. Actualmente o movimento é para fechar escolas”, alertou Suzana Toscano, ex-secretária de Estado da Administração Pública, actualmente assessora para a educação da Casa Civil da Presidência da República.
Para Paulo Guinote, doutor em História da Educação, “é muito diferente andar numa escola com 400/500 alunos do que andar numa escola secundária de 3 mil alunos. Em Portugal diz-se que há professores a mais. Na suécia, a escola é mais pequena mas tem mais professores”.
Ainda que a realidade sueca não possa ser comparada ao panorama português, devido à discrepância económica e socio-cultural, o facto é que, de acordo com Paulo Guinote, podemos retirar algumas lições. “Relativamente ao sistema educativo, podemos enaltecer o facto da Suécia fazer uma avaliação criteriosa das reformas que implementa e ter coragem para reavaliar o que fizeram”.
Ainda assim, a adopção de um modelo educativo similar ao da Suécia em Portugal só seria possível se fosse “gradual e simplificando o que já temos. Seria melhor pôr a funcionar bem os mecanismos que temos e então avaliar o que poderia ser aperfeiçoado”, concluiu o autor do blogue ‘Educação do Meu Umbigo’.
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