EduQA conclui que repetição de imagem no exame de português não compromete equidade mas deixa recomendação
Parecer do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) foi pedido pelo Ministério da Educação.
O parecer do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) sobre a utilização, no exame nacional de Português, de uma imagem idêntica à de um livro de exercícios de preparação para exame da editora Leya concluiu que tal facto não compromete a equidade de avaliação entre os alunos que realizaram a prova.
No documento da EduQA, divulgado esta sexta-feira, refere-se a equidade não é comprometida, dado que "a competência de produção escrita decorre de uma aprendizagem complexa desenvolvida ao longo de todo o percurso escolar do aluno, não sendo possível desenvolvê-la satisfatoriamente através da simples resolução de um item com um estímulo semelhante (ou mesmo idêntico)".
A EduQA indica também que os alunos alvo de exame realizam, ao longo da preparação, vários exercícios de escrita com a estrutura idêntica à do exame (em vigor pelo menos desde 2021) com recurso a diversificados elementos visuais e que não é possível que os estudantes memorizem todos os textos que elaboraram.
Além disto, o instituto argumenta ainda que, no exercício e resolução reproduzidos no livro da Leya, é estabelecida uma relação entre a imagem e o título, incentivando a um raciocínio nesse sentido. Já no exame, o título da obra foi omitido "propositadamente", esclarece o parecer, "possibilitando um alargamento do campo de reflexão e abrindo caminho para interpretações da imagem mais diversificadas, de acordo com o que é esperado num item de resposta extensa".
Apesar de não admitir o comprometimento da equidade da prova, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação deixa a recomendação de que os elementos selecionados para a construção das questões sejam alvo de "procedimentos acrescidos de verificação prévia pelas equipas responsáveis pela elaboração das provas e exames finais", pode ler-se no parecer. A verificação deve incluir o despiste da presença dos materiais em manuais, cadernos de atividades, livros de preparação para exames ou outras publicações recentes, o que evitaria situações que colocam em risco a confiança nos processos de avaliação.
Recorde-se que o parecer em causa foi pedido pelo Ministério da Educação, na quinta-feira, dada a polémica que emergiu após a situação de repetição da imagem ter sido amplamente contestada.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação determinou ainda, à Inspeção Geral da Educação e Ciência, uma auditoria aos procedimentos internos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA).
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