Em Ovar há quem desfile desde a barriga da mãe
Escolas de Samba preparam-se para a festa do ano que é "feita pelos vareiros" e com muita emoção à mistura.
Na Aldeia do Carnaval, em Ovar, as escolas de samba preparam-se para a emblemática festividade que marca o ritmo da cidade este mês. “Oxe! Que cordel é esse!?” é o tema da Escola Costa de Prata, a mais antiga da cidade. Retrata “uma viagem de um casal apaixonado pelo Brasil”, conta Maria Abrantes, integrante há 36 anos. “O carro alegórico vai retratar a Procissão dos Navegantes, que ocorreu esta semana no Brasil. Em Portugal, chamamos-lhe a Nossa Senhora das Candeias. É alguém que manda nos mares”, explica.
A época festiva começou a ser preparada em maio do ano passado. Cada tema é trabalhado a partir de uma maquete, que contém desenhos das várias personagens. “Cada personagem é representativa de cada ala. A maquete foi apresentada por dois associados que fazem de Zé do Laço e Mariá, as personagens principais,” revela.
No Carnaval, a união faz a força e dos ensaiadores aos ritmistas, todos contribuem para a “noite mágica”. Bernardete Mourão é a responsável pelos adereços. “Tentamos transpor para a realidade o que está no desenho. Há cabeças que faço numa hora e outras que levam três dias”, explica a vareira. Já os ensaiadores são responsáveis pelas coreografias. “Passamos aqui muitas horas. Temos de idealizar a coreografia, [perceber] que passo fica bem e que pessoas se enquadram na música”, conta Rafaela Pinto, da Escola de Samba Charanguinha, que desfila desde que estava na barriga da mãe.
O Carnaval de Ovar é “diferente”, porque, além de ser “feito pelos vareiros”, é composto por vários grupos: escolas de samba, passerelle e carnavalescos. Esperam-se mais de duas mil pessoas nas ruas, num orçamento que rondou um milhão de euros. “Todos os que vêm a Ovar não esquecem e querem voltar”, dizem os vareiros com orgulho.
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