Empresas que empreguem pessoas com autismo e hiperativas têm mais lucros

Segundo a Ordem dos Psicólogos, estas empresas podem ser 30% mais produtivas.

01 de maio de 2025 às 10:37
Reunião de trabalho Foto: Getty Images
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A Ordem dos Psicólogos disse, esta quinta-feira, que as empresas que empregam pessoas neurodivergentes, ou seja, entre outras as que têm autismo, sobredotadas, hiperativas, disléxicas, podem ser 30% mais produtivas.

"Investir na diversidade tem retorno", defende a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) em comunicado enviado a propósito do dia do internacional do trabalhador, que, esta quinta-feira, se assinala.

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O psicólogo e membro da direção da OPP, Tiago Pimentel disse à Lusa que as pessoas neurodivergentes podem aumentar a produtividade da empresa, dando o exemplo de um funcionário com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade.

O psicólogo indicou que um trabalhador com hiperatividade pode "ter um raciocínio matemático superior ou uma memória mais ágil" e ser capaz de trazer "um nível de competência e produtividade muito maior no cumprimento de tarefas" que requerem essas capacidades.

De acordo com a ordem, as organizações com maior diversidade sociocultural têm 39% mais probabilidades de atingir mais ganhos económicos do que as instituições menos inclusivas.

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A OPP referiu que as organizações mais inclusivas conseguem, comparativamente reduzir a perda de talentos para quase 50%, em comparação com empresas menos diversificadas.

O comunicado apontou ainda desigualdades no acesso ao emprego entre pessoas neurodivergentes.

"As estatísticas europeias indicam que menos de 29% das pessoas com autismo se encontram empregadas, comparativamente a 48,1% das pessoas com deficiência e a 73,9% da população geral", indicou a ordem.

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O psicólogo apelou à agregação de todas as diferenças nas empresas, referindo-se não só a pessoas neurodivergnetes, mas também às que vivem com deficiências, que pertençam a minorias étnicas ou culturais.

"Tem que haver igual acesso a oportunidades de emprego", disse Tiago Pimentel.

Em 2021, em Portugal, a disparidade na taxa de empregabilidade entre pessoas com e sem deficiência era de 16,2% e a "taxa de desemprego da população migrante (11,9%) era quase o dobro face à população portuguesa" (6,6%), segundo a OPP.

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Segundo a Comissa~o Europeia, 52% das pessoas com deficiência sente-se discriminada, referiu a OPP.

O psicólogo avisou que é preciso investir ainda "muito na adaptação das condições de trabalho para as pessoas que têm uma condição neurodivergente".

A ordem dos psicólogos deixou também "recomendações estratégicas" às empresas para promover a literacia sobre a diversidade e inclusão, através da compreensão e conhecimento das diferentes as características associadas a pessoas com deficiência, neurodivergentes ou que pertencem a outras culturas.

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"Por exemplo, uma pessoa que para poder estar concentrada precisa de ter permanentemente um ambiente isento de ruído, precisa de estar num espaço onde não existe ruído", exemplificou o profissional, sublinhando que um trabalho sem condições adaptadas perde o potencial do funcionário.

O psicólogo disse ainda "que a pessoa não se vai sentir bem relacionada com o local de trabalho", destacando que o funcionário pode ter um nível de competência muito apurado num determinado aspeto que podia ser muito importante para aquela empresa.

A flexibilidade na organização do trabalho é outra recomendação da OPP, ou seja, compreender que diferentes trabalhadores necessitam de diferentes horários, por terem períodos específicos de maior produtividade, pela forma como se organizam face a tarefas e prazos ou por terem consultas médicas regulares.

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A promoção de um clima organizacional inclusivo, através da colaboração, do respeito e da valorização da diferença "são a base de um local de trabalho inclusivo", de acordo com a OPP.

Para a ordem, é importante que os líderes sejam treinados para reconhecer diferenças, facilitar a seguranc¸a psicológica e serem exemplo de comportamentos respeitadores da diversidade.

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