Escolha múltipla garante quase 10 no exame de Português
Professores apontam “sucesso ilusório”. José Saramago em destaque no exame numa altura em que o prémio Nobel pode deixar de ser obrigatório no ensino secundário.
Os exames nacionais arrancaram esta terça-feira com a prova de Português, que é obrigatória para a conclusão do ensino secundário e importante para o acesso ao ensino superior, tendo sido realizada por cerca de 80 mil alunos. Maria do Carmo Oliveira, da Associação de Professores de Português (APP), considerou o exame “equilibrado”, mas criticou o peso excessivo das questões de escolha múltipla. “Um aluno que acerte nas sete perguntas de escolha múltipla que são contabilizadas obtém 9,1 e fica muito perto da positiva. Para uma disciplina estruturante do pensamento, capacidade de criação e espírito crítico, este peso da escolha múltipla é excessivo e pode permitir um sucesso que é ilusório”, disse a docente, notando que uma pergunta de escolha múltipla “vale os mesmos 13 pontos que uma questão expositiva”. “Acontece por vezes um bom aluno falhar as escolhas múltiplas, e já não interessa acertar na parte escrita”, disse, notando que a APP já tem há algum tempo “uma posição pública contra o peso excessivo da escolha múltipla”.
José Saramago esteve em destaque na prova, com questões sobre as obras Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis, numa altura em que o prémio Nobel pode deixar de ser obrigatório no ensino secundário. “É muito importante os jovens continuarem a aprender Saramago e, pessoalmente, não concordo que deixe de ser obrigatório no documento Aprendizagens Essenciais, mas penso que a decisão ainda está em suspenso”, disse a dirigente da APP. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação disse ao CM que “a revisão das Aprendizagens Essenciais e da Matriz Curricular está em curso” e “haverá uma segunda fase de consulta pública, prevista para o 1.º trimestre de 2027”, com as alterações a serem aplicadas "em 2027/2028".
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