Especialista defende salas climatizadas para acolher população nas ondas de calor

Susana Viegas chamou a atenção para a "pobreza energética", que impede a população de conseguir arrefecer ou aquecer as suas casas.

30 de junho de 2026 às 08:11
Calor Foto: Getty Images
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A especialista em saúde ambiental Susana Viegas defendeu esta terça-feira que Portugal deveria ter salas climatizadas para que a população se possa refrescar em alturas de onda de calor, à semelhança do que já acontece em Espanha.

"Haver espaços climatizados, não só em zonas urbanas, mas também nas rurais, onde a população idosa que vive isolada possa ser recolhida para um espaço com temperatura climatizada e alguns cuidados saúde, seria uma medida que complementava outras", afirmou a especialista.

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Em entrevista ao podcast Lusa Extra (https://www.lusa.pt/lusaextra), Susana Viegas, professora no mestrado em Saúde Ambiental e Alterações Climáticas, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa, chamou a atenção para a "pobreza energética", que impede a população de conseguir arrefecer ou aquecer as suas casas.

Nas cidades, a pobreza energética toma outras proporções por causa de fenómenos como as designadas "ilhas de calor", que intensificam os efeitos das ondas de calor.

"Os edifícios e o alcatrão irradiam calor depois de aquecidos e sabe-se que pode haver um aumento maior de temperatura num cenário de onda de calor" disse a especialista, acrescentando que os municípios devem pôr em prática o que é recomendado a nível europeu: mais verde e mais azul, com a criação de mais parques e mais acesso da população a espaços ribeirinhos ou com água.

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Quanto à escolha das árvores, para que as sombras façam com que menor calor irradie, disse que devem ser espécies autóctones e com pequenos períodos de polinização, considerando necessário "pensar na população que vive com alergias".

Lembrou que as medidas a aplicar pelas autoridades em períodos de onda de calor devem ser à escala dos municípios -- tal como recomendado na Europa -- e que as equipas das áreas do ambiente, urbanismo, gestão de parques e da saúde pública devem trabalhar em conjunto.

A especialista alertou ainda para os efeitos do calor nos internamentos hospitalares, tema de uma investigação em que participou e que analisou 20 anos de ondas de calor, concluindo por um aumento de 20% na admissão hospitalar.

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"Podem existir zonas do país em que, devido às características da população, este aumento pode ser maior", admitiu.

A investigação concluiu que o aumento ocorreu em todo o tipo de doenças e que as crianças foram as mais afetadas, sobretudo devido a queimaduras por contacto com superfícies.

Susana Viegas sublinhou ainda o facto de as ondas de calor que ocorrem em maio ou junho terem um impacto na admissão hospitalar diferente das de julho ou agosto, tendencialmente períodos de férias.

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"Em maio e junho as crianças estão nas escolas, ao cuidado de outros, e nós estamos a trabalhar e temos menos capacidade de gerir o espaço que frequentamos. Já em julho e agosto, tendencialmente estamos em férias e é possível escolher entre estar em casa, ir à praia ou ir para um local com ambiente climatizado. Isso permite que a população se adapte melhor", explicou.

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