Estudo revela impacto da pobreza no desenvolvimento cerebral das crianças
Investigação indica que os fatores socioeconómicos são responsáveis por cerca de 16% da variação observada nas medidas de funcionamento cerebral infantil.
Um estudo realizado pela Universidade de Washington concluiu que o desenvolvimento cerebral das crianças é influenciado tanto pelo ambiente em que crescem como pela situação económica das famílias.
“O cérebro de uma criança de meios socioeconómicos baixos parece-se com o de uma criança de contexto socioeconómico elevado que não dormiu o suficiente e está sob stress”, referiu um dos investigadores, citados pela Euronews.
A investigação indica que os fatores socioeconómicos explicam cerca de 16% da variação observada nas medidas de funcionamento cerebral infantil. As associações mais fortes verificaram-se com o quociente de inteligência (QI), os estilos parentais de educação e o historial de saúde das crianças.
Os investigadores garantiram que os mais pequenos em situação mais débil financeiramente não têm um “cérebro menos inteligente”. Se tomadas medidas, como melhorar a qualidade do sono e reduzir o stress, as diferenças podem ser menores.
A mesma fonte vinca ainda que as crianças são mais suscetíveis do que os adultos à pobreza e que as consequências podem facilmente refletir-se durante o período de desenvolvimento.
Como amostra para o estudo, os investigadores analisaram a situação de 12 mil crianças entre os nove e os dez anos de idade e foram avaliadas mais 649 variáveis adicionais que influenciam o desenvolvimento cerebral, em específico o tempo que dispendem em frente aos ecrãs, capacidades cognitivas, saúde física e mental, práticas parentais, etnia e sexo.
O ambiente do bairro e os recursos financeiros da família foram identificados como os fatores mais determinantes. De acordo com os investigadores, estes aspetos estão sobretudo relacionados com o funcionamento das áreas motoras e sensoriais do cérebro, que tendem a ser mais afetadas pelas oscilações diárias de sono e stress.
Os investigadores referem no estudo que, através de um exame ao cérebro de uma criança, conseguem facilmente perceber a situação socioeconómica em que esta vive, assim como os hábitos de sono e o tempo passado em frente aos ecrãs.
Segundo a UNICEF, quase 900 milhões de crianças em todo o mundo vivem em situação de pobreza, com dificuldades ao nível da alimentação, água, alojamento, educação e cuidados de saúde.
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