ETAR de Abrantes polui Tejo
Autoridade revela que parâmetros não foram cumpridos, mas considera improvável que tenha sido esta a origem da espuma.
A Inspeção-Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (IGAMAOT) anunciou esta segunda-feira que a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes não cumpriu parâmetros ambientais, mas não deverá ser a responsável pela espuma que apareceu no Tejo, no açude de Abrantes, a 24 de janeiro.
"Apesar de a ETAR de Abrantes não estar a cumprir os parâmetros a que estava obrigada, é tecnicamente muito improvável que esta referência de incumprimento tivesse capacidade para gerar aquele episódio", afirmou o inspetor-geral Nuno Banza.
Isto porque as análises da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), reveladas a semana passada, indicam "concentrações de outras substâncias que não são originárias em ETAR urbanas e que têm valores muito superiores àquilo que são os valores normais".
Uma alusão às fibras de celulose, encontradas em valores elevados, e que levaram a APA a apontar o dedo à indústria de pasta de papel. Numa conferência de imprensa destinada a apresentar os resultados das análises realizadas às entidades responsáveis por descargas de efluentes no rio, a IGAMAOT revelou esta segunda-feira que as ETAR de Mação e de Vila Velha de Ródão, e as unidades industriais Paper Prime e Navigator, produtoras de pasta de papel, cumprem os valores a que estão obrigadas.
Já no caso da Celtejo, os resultados serão conhecidos para a semana devido a um problema na recolha das amostras. Ou seja, para já, o único incumpridor confirmado pela inspeção do Ambiente é a ETAR de Abrantes.
Câmara pede esclarecimentos à Abrantaqua
A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, disse que já pediu "esclarecimentos" à Abrantaqua, que gere a ETAR. "Houve um problema efetivo, mas são incumprimentos demasiado pequenos para provocar este problema", afirmou, desejando que "se possa chegar a quem provocou este fenómeno".
Problemas na recolha de análises na Celtejo
A inspeção do Ambiente adiou para a próxima semana a divulgação dos resultados das análises às descargas de efluentes da Celtejo, em Vila Velha de Ródão, depois de ter tido dificuldades na recolha de amostras. "O coletor é colocado no descarregador do efluente e faz recolha automática, mas desta vez não o fez", disse Nuno Banza, acrescentando que foram admitidos "vários cenários" e depois tomadas medidas: "Primeiro substituímos o coletor, depois achámos que podia haver risco para o coletor e pedimos à GNR para o guardar, e acabámos por colocar três inspetores a fazer recolha à mão durante 24 horas."
O responsável afirmou ser ainda impossível saber se a espuma no rio "foi originada por uma descarga pontual ou por uma ultrapassagem de determinado limite a partir do qual aquele fenómeno ocorre".
Medidas tornam empresa inviável
A Celtejo deu a semana passada uma conferência de imprensa em que negou qualquer irregularidade nas descargas e afirmou ser inviável funcionar com as medidas impostas.
Empresa optou por reagir mais tarde
A Celtejo não reagiu ao prolongamento de medidas impostas pelo Governo e aos problemas na recolha de amostras, remetendo a posição para mais tarde.
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