European Rocketry Challenge deixa legado na formação de engenheiros e criação de empresas
Criada em 2020, a iniciativa tem acompanhado o crescimento do setor espacial nacional, com mais estudantes, universidades e empresas envolvidos na engenharia aeroespacial.
O presidente da Agência Espacial Portuguesa considerou esta sexta-feira que os sete anos do European Rocketry Challenge (EuRoC) deixaram um legado na formação de jovens engenheiros, muitos dos quais já trabalham no setor espacial ou criaram empresas.
"Fizemos um percurso fantástico. Há muitos jovens que, desde a primeira edição, já estão nas empresas, têm as suas próprias empresas, trabalham no setor. Podemos dizer que temos uma missão cumprida", afirmou Ricardo Conde à agência Lusa.
O responsável falava em Constância, no distrito de Santarém, à margem da abertura da sétima edição do EuRoC, competição universitária de foguetes que reúne cerca de 690 estudantes de 13 países e contou com a presença do astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson.
Criada em 2020, a iniciativa tem acompanhado o crescimento do setor espacial nacional, com mais estudantes, universidades e empresas envolvidos na engenharia aeroespacial.
Ricardo Conde destacou a evolução das equipas portuguesas e a crescente ligação entre as universidades e a indústria espacial, considerando que a competição contribuiu para impulsionar a formação em engenharia aeroespacial.
"Não há inovação sem falhas", sublinhou, defendendo a importância de os estudantes poderem testar, errar e aperfeiçoar soluções em condições próximas das exigências da indústria.
O presidente da agência admitiu a possibilidade de crescimento internacional do EuRoC, embora reconhecendo os desafios financeiros, logísticos e de segurança, e destacou o reforço do apoio da Agência Espacial Europeia (ESA) e a colaboração do Exército.
"Se não fosse o Exército, nós não fazíamos isto em Portugal", afirmou, defendendo a continuidade da competição em Constância.
A cerimónia ficou marcada pela presença de Neil deGrasse Tyson, uma das figuras mais conhecidas da divulgação científica mundial, recebido com entusiasmo e prolongados aplausos pelas centenas de universitários presentes no Pavilhão Desportivo Municipal.
Perante uma plateia, o astrofísico evocou a história da exploração espacial e desafiou os jovens engenheiros a ultrapassarem os limites do conhecimento, defendendo que o espaço pode aproximar a humanidade.
Recordando as imagens da Terra obtidas durante as missões Apollo, destacou como a observação do planeta a partir do espaço alterou a perceção das fronteiras e dos conflitos, apelando aos jovens para que usem o conhecimento científico na construção de um futuro melhor, sem perderem a curiosidade e a vontade de explorar.
Aos jornalistas, Tyson elogiou a energia dos participantes: "Quando essa energia é direcionada para a engenharia espacial, há esperança para o futuro".
No final, percorreu os espaços das equipas, observou os foguetes e conversou com os estudantes sobre os projetos, tirando fotografias, distribuindo autógrafos e concedendo entrevistas.
Na abertura participou também o chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, que salientou a importância de apoiar os jovens e dar espaço às suas ideias.
Alexander Kinnaird, da ESA Academy, destacou a necessidade de formar novas gerações para assegurar o futuro espacial europeu: "A Europa precisa da vossa curiosidade, tenacidade e competências técnicas para continuar competitiva".
O presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, falou da projeção internacional do concelho e dos benefícios para a hotelaria e restauração da região, uma vez que a capacidade de alojamento local não chega para acolher todos os participantes.
A edição deste ano registou um máximo histórico de 64 candidaturas de 26 países, tendo chegado à competição 21 equipas universitárias.
Segundo Ricardo Conde, sete equipas portuguesas estiveram envolvidas no processo, mas apenas duas, do Instituto Superior Técnico e da Universidade do Minho, chegaram à fase final de lançamento dos foguetes.
Os lançamentos começam no sábado, no Campo Militar de Santa Margarida, com foguetes desenvolvidos pelas equipas para atingir altitudes de três ou nove quilómetros. A competição termina em 21 de outubro, com a entrega de prémios.
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