Ex-diretor de Recursos Florestais critica falta de aproveitamento de biomassa para gestão dos fogos rurais em Portugal

Francisco Castro Rego defendeu que incêndios como os que deflagraram na última semana na região Norte "não teriam sido tão violentos e com dimensões tão elevadas".

05 de agosto de 2025 às 20:11
Incêndios no norte de Portugal Foto: CMTV
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O ex-diretor-geral dos Recursos Florestais Francisco Castro Rego disse esta terça-feira à Lusa que "uma das falhas principais" na gestão dos fogos rurais em Portugal é a "falta de aproveitamento da biomassa para produção de energia".

"Não conseguimos fazer nada ao clima, à orografia e aos ventos, mas conseguimos gerir a biomassa", sustentou o docente aposentado do Instituto Superior de Agronomia, lamentando o "investimento público escasso" na produção de energia, nomeadamente elétrica, a partir de biomassa (arbustos, mato ou ramos e troncos de árvores resultantes de podas, desbastes ou cortes fitossanitários).

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Segundo Francisco Castro Rego, seria "fundamental criar um grande programa" nacional para a gestão da biomassa, que envolvesse os municípios na recolha e no aproveitamento energético dos resíduos e incentivasse os pequenos produtores florestais e rurais a limparem os terrenos, pagando-lhes pela venda desses resíduos.

"Em vez de ser um ónus para os proprietários passaria a ser um benefício", sublinhou.

Engenheiro silvicultor de formação, Francisco Castro Rego defendeu que incêndios como os que deflagraram na última semana na região Norte "não teriam sido tão violentos e com dimensões tão elevadas" se o excesso de biomassa tivesse sido tratado de "forma musculada".

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Francisco Castro Rego, que presidiu ao Observatório Técnico Independente para a Análise, Acompanhamento e Avaliação dos Incêndios Florestais e Rurais, criado após os fogos de 2017 mas extinto em 2021, considerou que "haverá vantagens em toda a linha" no aproveitamento da biomassa, uma vez que é uma fonte de "energia neutra" com potencial de se "transformar em negócio" e de "mudar a paisagem de uma forma mais sustentável", sem causar os "impactos negativos na paisagem" gerados pelas "grandes áreas" de painéis solares ou pás eólicas.

Castro Rego foi diretor-geral dos Recursos Florestais entre 2005 e 2007, durante o primeiro Governo socialista liderado por José Sócrates.

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