Excesso de pesticidas na produção agrícola preocupa
Produtos utilizados na agricultura intensiva são cancerígenos.
A utilização de químicos como adubos, pesticidas e aditivos na agricultura, aumenta a produção mas acarreta verdadeiros perigos na alimentação humana, alerta ao CM João Branco, presidente da associação ambientalista Quercus. "Existem centenas de inseticidas e há alguns que são mais venenosos para o Homem", sublinha João Branco.
Pesticida é o nome dado aos químicos que matam organismos indesejados. Agrupam-se em herbicidas, fungicidas, inseticidas e moluscicidas (usados no controlo de moluscos, como as lesmas e caracóis), segundo o grupo de seres vivos a destruir, como ervas e plantas, fungos ou insetos.
Os produtos químicos vieram possibilitar um maior rendimento das colheitas, aumentando a produção, mas a qualidade da alimentação das pessoas piorou.
"O sabor dos alimentos produzidos em agricultura intensiva é muito diferente dos que são alimentos biológicos ou orgânicos, porque perdem o sabor natural do alimento", refere João Branco.
Existem pesticidas usados na agricultura que penetram nos tecidos dos frutos ou legumes, enquanto outra parte vai para os solos. Esses químicos acabam por entrar no organismo das pessoas, através do consumo desses alimentos.
A Organização Mundial da Saúde alerta para os perigos dos pesticidas, que são potencialmente cancerígenos. Um dos químicos a que as pessoas estão expostas é o glifosato, um pesticida muito usado pelos serviços em pelo menos 89 autarquias portuguesas.
O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, acusa o Ministério da Agricultura de "violar a lei e a proteção dos portugueses" por excluir o glifosato das análises de controlo em Portugal.
José Manuel Silva alerta ainda para o facto de a concentração do glifosato, o herbicida Roundup (além de outras marcas), na urina de portugueses, ser das "mais elevadas" do Mundo. "É urgente e obrigatório que o Governo faça análises sistemáticas", alerta o bastonário dos médicos.
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