Exclusão de investigadores em eleições na Universidade de Lisboa não é caso único, afirma Sindicato
Universidade justificou que "só podem votar os investigadores que fazem parte dos quadros", uma prática que, segundo a presidente do SNESup, acontece também noutras universidades.
O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) denunciou esta terça-feira que a exclusão de investigadores em eleições na Universidade de Lisboa (UL) não é caso único e que tem vindo a ocorrer noutras instituições.
Na segunda-feira, o Nintec - Núcleo de Investigadores revelou que a UL estaria a vetar a "participação de centenas de investigadores dos cadernos eleitorais" para as eleições do Conselho Geral e Senado, que terminam esta terça-feira.
Em declarações à Lusa, a universidade justificou que "só podem votar os investigadores que fazem parte dos quadros", uma prática que, segundo a presidente do SNESup, acontece também noutras universidades.
"Não se passa só na UL, passa-se noutras universidades. Ainda esta semana tivemos notícia também de situações semelhantes na Universidade do Porto", disse Mariana Gaio Alves.
Segundo o SNESup, em causa estão investigadores que colaboram nas unidades de investigação das próprias universidades, mas são contratados através de instituições privadas sem fins lucrativos e, por isso, não podem participar nos processos eleitorais.
"Embora o trabalho que os investigadores fazem seja vital e de grande importância para as universidades - e que conta, aliás, para a sua produtividade e para o seu prestígio, a verdade é que o vínculo contratual destas pessoas não é diretamente com a universidade", explicou a presidente do sindicato.
Para Mariana Gaio Alves, esta é uma situação injusta não só porque o trabalho dos investigadores visados é um contributo para as universidades, mas também porque depende delas.
"Nos órgãos das universidades tomam-se decisões sobre como organizar o trabalho, quais as áreas estratégicas, quais os projetos estratégicos... E uma parte das pessoas que executam o trabalho não têm palavra a dizer sobre essas orientações estratégicas, quando todas as outras têm", lamentou.
O caso na Universidade de Lisboa foi inicialmente denunciado pelo Nintec, que promoveu esta terça-feira uma manifestação virtual contra a exclusão dos investigadores daquela instituição, que contou com a participação de cerca de 70 pessoas, segundo o SNESup, que apoiou a iniciativa.
De acordo com o sindicato, verifica-se uma situação semelhante também na Universidade do Porto, onde está atualmente em curso o processo eleitoral para os representantes dos professores e investigadores, e para o representante do pessoal não docente e não investigador no Conselho Geral.
A Lusa questionou a Comissão Eleitoral dos professores e investigadores da Universidade do Porto, mas até à altura não obteve resposta.
"Haverá, com certeza, outras situações. Neste momento, estas, como estão com os processos eleitorais a decorrer, têm sido muito faladas", acrescentou Mariana Gaio Alves.
Já em outubro passado o Nintec tinha denunciado, numa carta aberta, que nas eleições para os Órgãos do Instituto Superior Técnico os investigadores com vínculo à unidade de investigação IST-ID seriam excluídos do ato eleitoral.
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