Famílias esticam orçamento para lares até 2 mil euros mensais

Portugal conta com 2,6 milhões de idosos. Cerca de 100 mil vivem em instituições, maioritariamente na área de Lisboa. 90% dos utentes pagam, por mês, valores até dois mil euros.

24 de julho de 2026 às 10:00
Quando passam a viver num lar, 78% dos idosos já apresentam limitação da autonomia Foto: iStockphoto
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O custo dos lares apresenta valores cada vez mais difíceis de suportar para os orçamentos das famílias. A conclusão é do barómetro da Procura de Residências Seniores em Portugal, que indica que, para 52% das famílias com um orçamento inicial previsto de até 1500 euros, o valor final que se acaba por pagar é superior.

Este é um indicador que demonstra a enorme pressão financeira nas famílias, precisamente nas que têm menos recursos: nove em cada 10 pedidos acabam por esticar o orçamento até um máximo de 2000 euros/mês. Face aos custos verificados, os dados indicam que “as famílias atrasam o mais possível a procura de uma vaga para o idoso. Fazem-no já quando o idoso apresenta limitações de autonomia, pois têm orçamentos curtos para a realidade do mercado”. A esmagadora maioria dos pedidos registados ao longo de 2025 concentra-se em valores mensais até aos 2000 euros, evidenciando a necessidade de compatibilizar a procura de cuidados especializados com a capacidade financeira. O escalão até 1500 euros representa a categoria mais frequente entre os pedidos (49%), seguindo-se os orçamentos compreendidos entre 1501 e 2000 euros (41%). Em conjunto, estes dois intervalos concentram praticamente nove em cada dez pedidos registados, revelando uma forte sensibilidade ao preço por parte das famílias. Por outro lado, os orçamentos mais elevados apresentam uma expressão residual.

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Só uma pequena parcela dos pedidos admite valores superiores a 2500 euros mensais (4%), demonstrando que as soluções de maior custo permanecem fora do alcance da maioria das famílias. Os dados refletem os desafios económicos associados ao envelhecimento da população e à cada vez maior necessidade de encontrar cuidados de longa duração.

De acordo com o barómetro elaborado pela Via Senior, a procura por estruturas residenciais continua marcada pela urgência. Metade das integrações ocorrem num prazo inferior a 15 dias e quase nove em cada dez são concretizadas num mês. Quase metade (49%) dos pedidos registados no ano passado destinam-se ao distrito de Lisboa, muito acima dos restantes 16 distritos. Por sua vez, o Porto representa 14% dos pedidos e Setúbal 12%.

Num País onde existem 2,6 milhões de idosos, os dados demonstram que a procura está concentrada nos grandes centros urbanos, onde a pressão demográfica e a necessidade de respostas especializadas são mais elevadas. Nos cerca de 2700 lares existentes residem cerca de cem mil pessoas.

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Dados

Mulheres dominam

63% dos pedidos junto dos lares são para utentes femininas. 86% são referentes a utentes que têm 75 ou mais anos de idade.

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Filhos procuram lar

Os filhos são responsáveis pela maioria esmagadora dos pedidos, com 60%. Genros ou noras são 10%, netos 8% e os próprios utentes apenas 4%.

Decisão familiar

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Na maioria dos casos, a colocação num lar é uma decisão amadurecida em contexto familiar e frequentemente associada à urgência.

Idades mais comuns

As idades mais comuns dos utentes são entre os 85 anos e os 94, com 44%. Em segundo lugar está a faixa etária dos 75-84 anos (37%).

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Alguma autonomia

61% das famílias procuram resposta numa fase em que começam a surgir dificuldades no dia a dia, mas antes de existir uma dependência total.

Isolamento cresce

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As pessoas autónomas representam 22% dos pedidos. É um indicador do crescente isolamento social e ausência de rede familiar próxima.

Solução permanente

A maioria das famílias procuram uma solução permanente (88%) para o idoso que requer acompanhamento num lar.

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‘Cheque Sénior’

Custo dos lares aponta à urgência de Portugal adotar um sistema de apoio direto às famílias semelhante ao já testado em Espanha.

Valores

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O valor dos apoios será determinado em função dos rendimentos do agregado familiar e do grau de dependência física ou cognitiva do idoso.

Guarda assinala Dia dos Avós com projeto pioneiro de apoio domiciliário 

Assinalando-se no próximo domingo o Dia dos Avós, foi divulgado na Guarda o projeto ‘GuardAfetos’, lançado a partir do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha e que visa apostar na antecipação dos cuidados de saúde domiciliários junto de populações. José Valbom, médico que exerce funções na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, onde coordena a Unidade de Saúde Ocupacional, sublinhou à agência Ecclesia que uma intervenção precoce “faz mais do que prolongar o tempo de vida, prolonga a qualidade de vida”. 

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