Farmacêutica conta fraude com receitas
Processava receitas que não correspondiam à saída de medicamentos para os utentes.
A proprietária e diretora técnica de uma farmácia na Chamusca acusada de envolvimento num esquema fraudulento que lesou o Estado em 657 mil euros confirmou esta quarta-feira, na primeira sessão de julgamento, que processou receitas de medicamentos que não eram entregues aos utentes, mas a farmácia recebia as respetivas comparticipações do Serviço Nacional de Saúde.
Cristina Santo, de 49 anos, está a ser julgada no Tribunal de Leiria, num processo por burla qualificada, corrupção e falsificação de documento que tem também como arguidos Mário Gonçalves, de 45 anos, que na altura era seu marido, e o médico Carlos Ialá, de 58 anos.
A farmacêutica contou ao tribunal que se apercebeu do esquema, garantindo que "o dinheiro das comparticipações entrava na conta bancária da farmácia", que era movimentada pelo marido. Disse ainda não ter tido "qualquer ganho com isto", adiantando que tentou confrontar o marido, mas foi "ameaçada por ele".
"Ele tinha problemas de alcoolismo, eu era vítima de violência doméstica e quando somos ameaçados é difícil ter força e tomar uma decisão", contou Cristina Santo, afirmando que tem "consciência de ter cometido uma ilegalidade", mostrando-se "arrependida".
Ana Manso nega ter agido com má-fé
"Eu é que sou a vítima neste processo", disse na primeira sessão e alegou que foi ela a detetar a irregularidade e a informar o conselho de administração.
Médico nega acordo com a farmácia
PORMENORES
Ex-marido depõe dia 16
A farmacêutica disse ao tribunal que a gestão da farmácia era feita por Mário Gonçalves, que será ouvido na próxima sessão, agendada para dia 16.
Esquema de três anos
O esquema fraudulento prolongou-se por três anos e envolveu a emissão de mais de oito mil receitas pelo médico, a maioria em nome de utentes de lares de idosos em que fazia consultas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt