Faturas "matam" antiga mercearia de Braga

Uma das mais antigas mercearias da cidade de Braga, implantada há 90 anos nas proximidades dos Paços do Concelho, "caiu" com a obrigatoriedade de passar faturas em todas as operações de venda.

04 de janeiro de 2013 às 17:03
Facturas, obrigatoriedade, mercerias, fecho Foto: Joana Saboeiro - Foto de arquivo
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A poucos metros de distância, uma outra mercearia, já centenária, ainda resiste, mas o proprietário, Francisco Azevedo, admite que se o obrigarem a comprar uma máquina nova para as faturas "será o fim".

"Se tinha algumas dúvidas sobre se haveria de fechar ou não, elas acabaram quando se começou a falar de que ia ser obrigatório passar fatura. Tem algum jeito vir aqui alguém comprar 'cinco réis de nada' e ter de lhe passar fatura?", insurgiu-se à agência Lusa José Braga, de 80 anos.

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A mercearia, atualmente em fase de liquidação, abriu promoções e no máximo dentro de uma semana fecha portas.

"Ia ser mesmo agora, com esta idade, que ia comprar uma máquina nova, que custa para cima de 1500 euros, para passar faturas", ironizou José Braga.

A hora é de arrumar a loja, vender o que conseguir e, depois, carregar a mercadoria sobrante para casa.

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"O negócio está cada vez mais caído, o que se apura não dá para as despesas, e agora esta história das faturas vai ser o golpe de misericórdia para muita gente", vaticina José Braga.

Queixas partilhadas por Francisco Azevedo, 92 anos, dono de uma outra mercearia, centenária, situada paredes-meias com o edifício da Câmara Municipal.

O veterano comerciante diz que o negócio "vai de mal para pior" e que as novas regras de faturação vieram "afligir ainda mais".

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Diz que, "para já", não tem tido problemas com a questão das faturas, mas admite que é com preocupação que encara "os tempos que aí vêm".

Francisco Azevedo ainda vende fiado, tendo alguns clientes, mais idosos, que apenas pagam ao fim do mês, quando lhes cai na conta o dinheiro das reformas.

Tem consciência de que essa condescendência lhe vale a "fidelidade" de alguns clientes, mas também tem a noção que são cada vez menos as pessoas que lhe entram pela porta adentro no dia-a-dia e cada vez com menos dinheiro para gastar.

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