Fenprof e Ministério em rota de colisão
Governo acusado de fazer “chantagem” e quebrar “lealdade” durante as negociações.
O estado de graça entre a maior estrutura sindical de professores e o Ministério da Educação (ME) chegou ao fim durante as negociações da vinculação extraordinária e do novo regime de concursos, que terminaram na sexta-feira, sem acordo.
Em causa, segundo a Federação Nacional de Professores (Fenprof), está o facto de a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, ter introduzido, na última reunião, uma norma que permite aos docentes das escolas privadas com contrato de associação concorrerem este ano na mesma prioridade dos do público.
"O ME portou-se muito mal e quebrou elos de lealdade negocial. Um processo que estava a correr bem terminou de forma inqualificável, o que azedou a relação institucional entre a Fenprof e o ME", disse ao CM Vítor Godinho, responsável da área de concursos da Fenprof, acrescentando: "O ME fez uma exigência, que nunca tinha sido abordada, e que coloca os docentes do público e do privado em pé de igualdade. Depois ainda mostrou abertura para a retirar se a Fenprof assinasse um acordo, mas nós não aceitámos uma chantagem desta natureza."
Alexandra Leitão afirmou na sexta-feira à imprensa que o tema foi abordado ao longo da negociação "por diversas estruturas sindicais" e que "umas estavam de acordo e outras não".
"Se nas outras mesas isso foi discutido, deveria ter sido colocado antes à Fenprof", nota Godinho.
A secretária de Estado disse, contudo, que "esta matéria não está fechada", e só o ficará com a redação final do diploma.
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