PJ indica jornalista à Doyen para contar versão alternativa dos factos
Julgamento de Rui Pinto decorre em Lisboa.
A revelação foi feita por Pedro Henriques, testemunha ouvida esta quinta-feira no julgamento de Rui Pinto. Confrontado pela defesa do arguido Aníbal Pinto, Pedro Henriques afirmou que a PJ sugeriu à Doyen que falasse com um jornalista, cuja identidade disse não se recordar, para divulgar na comunicação social a versão do fundo desportivo.
Como não soube esclarecer quem foram os inspetores da PJ, a juíza garantiu que esta informação "não ficará por perguntar" à PJ.
O coletivo de juízes reagiu com "estupefacção". "Não percebo a indicação de um jornalista em concreto pela PJ. É preciso ser a PJ a indicar um jornalista? A Doyen não tinha um gabinete de relações públicas? A minha estupefação é a mesma de ontem", afirmou a juíza Margarida Alves, presidente do coletivo.
Questionado pela defesa de Aníbal Pinto, a testemunha garantiu ainda que a PJ nunca forneceu ao fundo de investimento informação em segredo de justiça. Pedro Henriques, advogado é amigo de Nélio Lucas, ex-administrador da Doyen, presta esta quinta-feira testemunho pelo segundo dia consecutivo.
A testemunha detalhou ainda que recebeu essa informação vinda dos inspetores por email. "Remeti esse email para o Nélio [Lucas] e departamento de comunicação da Doyen. Não me lembro do nome nem sei quem era", afirmou.
Tribunal decide extrair certidão para investigar colaboração de inspetor da PJ com a Doyen
O tribunal decidiu extrair uma certidão para investigar a alegada colaboração do inspetor da Polícia Judiciária Rogério Bravo com a Doyen.
Esta decisão surge na sequência de um requerimento apresentado pela defesa Aníbal Pinto, que considerou que, na sequência do depoimento de Pedro Henriques, se mostram "fortemente indiciados a prática dos crimes de falsidade de depoimento, corrupção, abuso de poder e denegação de justiça, pelo menos".
O advogado pediu que fosse feito um "apuramento cabal de todos os contornos de uma atuação policial cujos contornos obscuros e manobras de encobrimento numa pensei ver em Portugal".
"Em face do depoimento da testemunha, demonstram-se fortemente indiciados a pratica dos crimes de falsidade de depoimento, corrupção, abuso de poder e denegação de justiça, pelo menos, importando esclarecer para defesa da própria credibilidade do sistema judicial todos os factos relativamente à colaboração entre a PJ e a Doyen e quais os seus contornos e objetivos, e também a influencia dessas condutas ilícitas na validade das provas obtidas e produzidas em todo este processo", defendeu o advogado.
A Procuradora do Ministério Público Marta Viegas, explicou que "a certidão que se requer, já se encontra apreciada" e que o caso foi arquivado. Afirmou, no enatando, não ter "nada a opor que seja aberta certidão para que seja reaberto o processo".
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