Fuga ao Fisco custa três milhões a Scolari
Pagamento de dívida arquiva processo-crime.
Luiz Felipe Scolari, ex-selecionador nacional de futebol, não declarou 7,4 milhões de euros em direitos de imagem quando tinha domicílio fiscal em Portugal, entre 2003 e 2007 – incluindo dinheiro que recebeu através de uma offshore do ex-BPN. A fuga ao Fisco levou a uma investigação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), agora concluída: o ex-selecionador teve de pagar três milhões de euros para ver o processo arquivado.
A decisão foi anunciada e publicada esta terça-feira no site do DCIAP, onde pode ler-se que "o Ministério Público considerou que os elementos de prova recolhidos indiciavam a prática pelo arguido dos crimes de fraude fiscal." Foi então proposto ao atual treinador do Guangzhou Evergrande (China) que pagasse a dívida, beneficiando também da suspensão do processo-crime, o que o técnico aceitou. Com o imposto da dívida pago, o processo é definitivamente arquivado.
Scolari esteve aos comandos da seleção nacional entre 2002 e 2008. Até 2006, com a verba paga pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Nike, o técnico ganhou mais de 100 mil euros por mês, revelou no ano passado o CM. Já a parcela paga pelo BPN diz respeito a dois contratos de cedência de utilização de direitos de imagem. Pelo menos no primeiro contrato, entre 2002 e 2004, o treinador brasileiro levou para casa 105 mil euros por mês. Em abril do ano passado, numa visita a Portugal para participar numa conferência sobre futebol, Scolari foi constituído arguido pelo DCIAP por fugir aos impostos.
Segundo apurou o CM, o inquérito ao técnico terá tido origem em pagamentos efetuados pela Jared Finance (uma sociedade offshore do BPN) à Chaterella, offshore que assinou o contrato da utilização da imagem de Scolari.
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