Futura Estação de Dessalinização de Água do Mar vai passar por baixo da praia da Falésia

Arranque da obra previsto para próxima semana. Autarca, pescadores e ambientalistas contestam.

24 de abril de 2026 às 01:30
Projeto da Estação de Dessalinização de Água do Mar Foto: direitos reservados
Pedro Ramos, engenheiro da Águas do Algarve Foto: direitos reservados
Equipa envolvida no projeto no dia de assinatura do auto de consignação da obra Foto: direitos reservados

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As condutas de recolha de água do mar e rejeição de salmoura da futura Estação de Dessalinização, que está projetada para Albufeira, vão passar dentro de um túnel construído por baixo da praia da Falésia, a dez metros de profundidade. Ao que o CM apurou, esta solução de passagem por baixo do areal e do cordão dunar evita o impacto visual das canalizações e aumentou o custo total da obra (orçada em 107 milhões de euros) em cinco milhões de euros.

O arranque das obras está previsto já para a próxima semana.  "Depois da assinatura da consignação, o empreiteiro vai fazer os preparativos para o arranque dos trabalhos, nomeadamente a instalação do estaleiro", explicou ao CM Pedro Ramos, engenheiro da empresa Águas do Algarve.

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A empreitada tem gerado forte constestação de Rui Cristina (Chega), atual autarca, bem como de pescadores desportivos e ambientalistas. Para o areal está a ser organizado um cordão humano que deverá envolver profissionais do setor, associações e a comunidade local.

Uma das questões está relacionada com o impacto visual que a infraestrutura poderá ter na praia da Fal. Mas Pedro Ramos garantiu que não existirá nenhuma intervenção no areal. No projeto, está prevista a construção de um túnel onde vão passar as condutas. "Irá começar a 300 metros da crista da arriba e vai passar por baixo da praia, entre 9 a 11 metros de profundidade. Só irá submergir a 500 metros da linha de costa", explicou, assumindo no entanto que, na altura da construção desse túnel, "a praia poderá ficar condicionada, mas apenas numa altura do ano mais propícia".

Atualmente, ainda decorre a consulta pública deste sistema e só terminará a 11 de maio, uma vez que "para instalar as condutas de captação e rejeição" há que "fazer uma concessão de espaço marítimo". A obra começará entretanto.

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As áreas onde será feita a recolha de água e a expulsão de salmoura "vão figurar em todas as cartas marítimas e será criado um plano de sinalização marítima para a navegação.

Este avanço acontece depois da Agência Portuguesa do Ambiente ter dado luz verde ao projeto. 

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