Galp não antecipa falhas no combustível para a aviação nos próximos meses

Esta sexta-feira, a ministra do Ambiente e Energia já tinha assegurado que o fornecimento de combustíveis para a aviação está garantido pela Galp "até ao pico do verão".

17 de abril de 2026 às 15:47
Galp Foto: Pedro Catarino
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A Galp assegura que não se antecipam disrupções do fornecimento de combustível para a aviação, apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, estando já a adotar medidas para reforçar a segurança de abastecimento e armazenagem.

Fonte oficial da Galp explicou à Lusa que "Portugal tem uma dependência parcial do exterior para fazer face às suas necessidades deste combustível, sendo que uma parte importante das cargas tem origem na região do Golfo Pérsico".

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Porém, apesar do encerramento do estreito de Ormuz nas últimas semanas, "neste momento, não se antecipam disrupções nos próximos meses, período em que o consumo está coberto pela produção própria da Galp, disponibilidades de 'stock' e importações".

Além disso, a mesma fonte reforça que a petrolífera mantém sob monitorização constante a disponibilidade de inventários deste combustível, e avança que "está a adotar medidas operacionais que reforcem a segurança de abastecimento de Jet [combustível para aviação] e a avaliar soluções que contribuam para aumento de armazenagem".

A reação foi enviada à Lusa antes do anúncio feito pelo Irão da reabertura do estreito de Ormuz durante o cessar-fogo, que entrou em vigor na noite de 07 para 08 de abril por um período de duas semanas.

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Esta sexta-feira, a ministra do Ambiente e Energia também já tinha assegurado que o fornecimento de combustíveis para a aviação está garantido pela Galp "até ao pico do verão".

"A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguenta perfeitamente até ao pico do verão", ou seja "princípio, meio de agosto", afirmou Maria da Graça Carvalho, em Porto de Mós, no distrito de Leiria.

"Eles têm uma grande produção" e "a matéria-prima que recebem vem essencialmente do Atlântico e, do ponto de vista da Galp, temos ainda para vários meses", acrescentou.

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Das reuniões do Governo com a Galp e também com a Repsol saiu o entendimento de que "a situação da Península Ibérica é bem mais confortável do que no resto da Europa e que muitas zonas do mundo", acrescentou.

A Comissão Europeia também garantiu esta sexta-feira que não existe escassez de combustíveis na União Europeia, mas disse estar a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação.

Na quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia disse que a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.

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No mesmo dia, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) disse que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.

Os alertas inserem-se num contexto de crise energética na UE, marcada por vulnerabilidades no abastecimento e por choques externos sucessivos, já que o bloco comunitário é dependente de importações de petróleo e derivados e está, por isso, sujeito às perturbações geopolíticas, nomeadamente no que toca ao fornecimento de querosene de aviação.

A guerra no Irão, causada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel e que agora está num período de cessar-fogo, pode afetar rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz, pressionando ainda mais os preços e a disponibilidade de combustíveis, com impacto direto no setor da aviação europeia.

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Perante essa instabilidade, o setor da aviação e autoridades têm reforçado medidas de contingência, com algumas companhias aéreas a avançar mesmo para a redução de voos devido ao aumento dos custos de combustível.

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