“Governo voltou a meter o carro à frente dos bois”
Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof, comenta a acção de formação sobre o 'Magalhães'.
Correio da Manhã – Que comentário lhe merece as imagens da formação sobre o ‘Magalhães’?
Mário Nogueira – Não sei em que contexto aquelas imagens foram gravadas. Vi as imagens na televisão, mas não percebi que tipo de actividades estavam a realizar no momento.
– É a formação adequada?
– Não nos podemos esquecer que é uma formação para professores que vão apresentar os computadores a crianças de seis anos. É natural que este tipo de formação seja diferente daquela que seria dada a um professor do Secundário, que talvez não precisasse de ser uma formação tão lúdica. É compreensível que exista uma vertente mais lúdica.
– Alguns dos formadores presentes na acção promovida pelo Ministério da Educação não sabiam falar português...
– Isso é muito preocupante. O Ministério da Educação deveria ter apostado mais na formação de formadores. Numa primeira fase compreende-se que, na formação de formadores, existam profissionais estrangeiros. Agora isso não pode acontecer na fase de formação de professores.
– Considera ter existido alguma precipitação?
– O Governo voltou a meter o carro à frente dos bois. Esta situação vem ao encontro do que temos vindo a dizer. A introdução dos computadores na escola não advém de uma necessidade da própria escola. Primeiro achou que seria uma bela acção de propaganda distribuir computadores por tudo que é escola. Depois logo se pensa o que fazer com eles. A introdução no 1.º Ciclo seria positiva com um planeamento, um objectivo concreto para a sua utilização. Isto foi feito sem se pensar muito bem no assunto.
– Foram abrangidos 800 professores. É suficiente?
– Num total de 40 mil professores do Ensino Básico é manifestamente pouco.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt