Grávida em estado grave esperou três horas por tratamento hospitalar
Mulher esteve deitada em ambulância à porta de casa, na Moita, enquanto INEM decidia local de assistência.
Uma mulher, grávida de gémeos com 24 semanas de gestação, e com uma avaliação clínica grave, esteve deitada na maca de uma ambulância à porta de casa, na Moita, enquanto aguardava por tratamento numa unidade hospitalar. Ao fim de quase 3 horas de espera, ao final da manhã de quarta-feira, viria a ser transportada, por decisão do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, para a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, onde ainda se mantém na unidade de cuidados intensivos.
O CM falou com um sindicato e uma associação representativos dos tripulantes de ambulâncias de emergência, e ambos concordaram que este é mais um caso "que mostra a necessidade de reformulação dos CODU". Paulo Paço, presidente da Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica (ANTEM), disse ao CM que a grávida começou por contactar "as urgências de obstetrícia do Hospital do Barreiro, ao início da manhá de quarta-feira". "Disseram-lhe que ela estava com um útero muito pequeno para gémeos com 24 semanas de gestação, e que uma das bolsas que alojam os bebés estava mesmo em risco de rutura", explicou o presidente da ANTEM. A mulher regressou a casa, por conselho médico, e pediu ajuda através da linha SNS 24.
O período de espera para a grávida começou pelas 11h40. Depois de a equipa de atendimento da linha SNS 24 ter apontado o Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, como o mais indicado para atender a mulher, foi acionada uma ambulância dos bombeiros de Alcochete. "À chegada da equipa de bombeiros, a senhora já estava com o marido à espera. Entrou logo na ambulância", acrescentou Paulo Paço. No entanto, passaram quase três horas até que a equipa de enfermeiros de serviço no CODU do INEM decidisse que a mulher fosse transportada para a MAC. "Nesse período chegou a ponderar-se que a mesma fosse levada para o Hospital de Coimbra", referiu o presidente da ANTEM. O responsável disse saber que a doente "se mantém nos cuidados intensivos da MAC".
A ANTEM considera que, apesar de os tempos de espera resultantes da medida do Governo de colocar enfermeiros nos CODU a receber as comunicações das equipas de emergência médica no terreno "se manterem intactos, permanece um problema de formação das equipas de emergência". "As mesmas estão preparadas para realizar partos, mas não para situações graves como esta", considerou. Além disso, defendeu Paulo Paço, "existe a perceção de que existe sobreposição de decisões dos enfermeiros em relação aos médicos, que são quem tem a palavra final em relação às unidades de saúde de destino para as parturientes".
Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Tripulantes de Emergência Médica do INEM, é mais radical na apreciação em relação ao trabalho dos enfermeiros colocados, por ordem do Ministério da Saúde, nos CODU. "O próprio presidente do INEM disse-me que desde que os mesmos iniciaram funções após a nossa greve, em novembro passado, os tempos de espera triplicaram", referiu. O líder sindical defendeu mesmo "a retirada dos mesmos dos CODU, já que além de fazerem aumentar os tempos de espera, tomam decisões que só devem ser de médicos".
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